O nosso outro lado
"O INFERNO SÃO OS OUTROS"
Elaborado por Luciana Aparecida Voos
Persona é o que gostaríamos de ser e como gostaríamos que o mundo nos visse.
O ego é o que somos e conhecemos conscientemente.
A sombra é a parte de nós que não vemos nem conhecemos. Ela representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos.
É interessante como as pessoas têm medo daquilo que não conhecem, do seu lado obscuro e costumam evitar conhecê-lo, pois parecem sentir que é algo de muito ruim. Nosso lado sombrio não necessariamente é um lado mau. Lembro de uma amiga que me contou que sonhava muito com água, inundação. Disse a ela que seria muito bom compreender o simbolismo desses sonhos e ela me respondeu que tinha receio de 'mexer nisso'. Muitas vezes mantemos nossas potencialidades na sombra e não as descobrimos por receio de encontrar algo de terrível. Curiosamente as pessoas se empenham mais em resistir aos aspectos nobres de suas sombras do que em esconder seu lado escuro. Não podemos nos esquecer do Arquétipo do Curador interno com o qual aprendemos a nos curar e encontrar o ouro nas nossas vivências.
Segundo Jung, o ego e a sombra procedem da mesma origem e equilibram exatamente um ao outro, ou seja, fazer luz é fazer sombra. Quando agimos na extrema direita, teremos de equilibrar esse ato, consciente ou inconsciente, com algum ato do lado esquerdo.
Robert Johnson fala sobre como atos bons tem peso igual do lado sombrio e podem nos levar ao pecado. Você já conheceu aquela pessoa, homem ou mulher, que é extremamente calmo, nunca reclama, ninguém o tira do sério e, de repente, numa situação adversa, limite, essa pessoa surpreende a todos, 'estoura' numa agressividade extrema e põe pra fora ódios que tem guardado por muito tempo? Nesse exemplo podemos entender o que Robert diz: a mesma quantidade de energia que esta sendo investida no lado passivo, na persona, esta sendo enviada para o contrário, nesse caso o agressivo. Ou seja, um belo dia, essa energia oposta que também esta sendo alimentada inconscientemente vem á tona e a pessoa revela seu outro lado. Portanto, se fizer algo bom e não pagar o preço sombrio, logo serei rude com alguém ou entro em depressão. Mas como fazer isso? Não precisamos chegar ao ponto em que chegou o rapaz citado acima, acumulando toda nossa raiva e soltando numa única situação. Podemos dar forma ao nosso lado esquerdo sem prejudicar o direito e nossa vida social. Por exemplo: desenhando, esculpindo, escrevendo uma historia animada ou escrevendo sobre o que sente, dançando... Robert cita um caso de uma pessoa que molhava uma toalha e jogava com força no chão. Uma vivência simbólica ou cerimonial é real e afeta a pessoa da mesma forma que um fato real. Notamos isso em cerimônias religiosas que contém tanto trevas quanto luz; fala sobre morte, rejeição, tortura, ressurreição, renascimento.
Temos a tendência de rejeitar o lado escuro de nossa mente, mas ele faz parte de nossa natureza e rejeitá-lo significa armazenar ou acumular trevas. Mais tarde isso se expressa na forma de mau humor, doença psicossomática ou acidentes inspirados pelo inconsciente.
O que ocorre outras vezes é a projeção dessa sombra fora de nós, o que significa uma fuga da responsabilidade. Nós colocamos nos outros aquelas características que rejeitamos em nós. Você já passou por uma situação em que não gostou de alguém só de olhar para ela? Provavelmente ela tem conteúdos seus que são desconhecidos, rejeitados por você. Tente escrever sobre o que você acha dessa pessoa e depois leia pensando ser você.
A importância da conscientização desses conteúdos é porque a evolução da consciência exige que integremos a sombra em nós mesmos e não que a projetemos nos outros. Quando um pai deposita a sombra sobre uma criança pequena, rompe a personalidade da criança e aciona a guerra entre o ego e a sombra. A criança terá a tendência a colocar sua sombra em seus filhos e assim por diante.
"Os pecados de um homem recairão sobre a terceira e a quarta geração..." (Êxodo 20:3-17).
Quando um pai vive pouco de seu potencial e o projeta no filho, e o filho assume essa tarefa conscientemente, sente que precisa viver duas vidas e que precisa realizar aquilo que o pai não conseguiu, ou seja, acaba carregando o fardo do pai. É importante carregar para si seus próprios fardos, não podemos mais nos permitir descontar em outra pessoa o nosso lado não vivido. Mas será possível rejeitar uma projeção de outra pessoa, como nesse caso do pai e filho? Somente se o filho tiver sua sombra razoavelmente controlada. Rejeitar a sombra do outro não é lutar contra, mas é fazer como um bom toureiro que apenas deixa que o touro passe de lado. Não é falta de genialidade estar na presença da sombra de outra pessoa e não reagir. Quando recuamos, permitimos que a projeção tome o seu rumo.
Mas também tem casos em que projetamos o melhor de nós nos outros e adoramos heróis. Todos os heróis precisam ser interiorizados. É difícil para outra pessoa bancar o herói por nós. Quando estamos apaixonados acontece algo semelhante, projetamos no outro nossa parte mais nobre e a pessoa parece perfeita, sem defeito nenhum. Deixamos de ver o outro por inteiro, na sua totalidade. Com o tempo a projeção vai saindo e vamos percebendo melhor o outro.
Eu estou falando de casos particulares, mas o micro também representa o macro. Quando integramos nossa sombra pessoal, estamos diminuindo a sombra do mundo. Como vimos no filme "Efeito Borboleta", mesmo quando poucas pessoas encontram a plenitude, o mundo todo sofre uma influencia positiva. No filme, uma pequena ação do protagonista, uma mudança sutil em suas escolhas mudava completamente o seu futuro e o de outras pessoas. Atualmente há o acúmulo de sombra sobre nós de uma sociedade inteira que adorou seu lado luminoso e recusou o escuro, e esse resíduo aparece na forma de guerra, caos econômico, greves. As manchetes arremessam a sombra sobre nós. Portanto, projetar a sombra nos outros nos leva coletivamente á guerra.
Enfim, precisamos permitir que ambos os lados de uma questão, os dois opostos, existam com igual dignidade e valor. Fica aqui o convite pra você buscar se conhecer sem medo de ser feliz!!! Aprenda a integrar e se aceitar na totalidade, seu lado A e B, e ajude a construir um mundo melhor para todos!
Para saber mais:
- Johnson, Robert A, A magia interior, Mercuryo.
- Alves, Liane, artigo revista Vida Simples, março de 2007.
segunda-feira, 10 de março de 2008
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