segunda-feira, 31 de março de 2008


A lenda de Don Juan
As lendas diziam que Don Juan seduzira, estuprara ou matara uma jovem moça de família nobre da Espanha, e também assassinara seu pai. Depois, tendo encontrado num cemitério uma estátua deste, jocosamente a convidara para um jantar, convite este aceito alegremente pela estátua. O fantasma do pai ali também chegara, como precursor da morte de Don Juan. A estátua pedira para apertar-lhe a mão e, quando este lhe estendeu o braço, foi por ela arrastado até o inferno.

A maioria dos estudiosos é concorde em afirmar que o primeiro conto a registrar a história de Don Juan foi El burlador de Sevilla y convidado de piedra ("o conquistador de Sevilha e o convidado de pedra"). As datas para esta publicação, entretanto, variam, em torno de 1620 até 1635, dependendo da fonte - embora haja registros de que seja conhecida na Espanha desde 1615. Segundo este conto, Don Juan é um mulherengo inveterado, que seduzia as mulheres disfarçando-se de seus amantes, ou lhes prometendo o matrimônio. Atrás de si deixa um rastro de corações partidos, até que finalmente acaba matando um certo Don Gonzalo. Quando depois é convidado pelo fantasma deste para um jantar numa catedral, acaba por aceitar, por não querer parecer um covarde.

As visões acerca da lenda variam de acordo com as opiniões sobre o caráter de Don Juan, apresentado dentro de duas perspectivas básicas. De acordo com uns, era um mulherengo barato, concupiscente, cruel sedutor que buscava apenas a conquista e o sexo. Outros, porém, pretendem que ele efetivamente amava as mulheres que conquistava, e que era verdadeiramente capaz de encontrar a beleza interior da mulher. As versões primitivas da lenda sempre o retratam como no primeiro caso.


[editar] Don Juan na literatura
Uma mais recente versão da lenda de Don Juan é apresentada na obra de José Zorilla, Don Juan Tenório, de 1844. Esta versão apresenta um Don Juan totalmente envilecido. A ação principia com Don Juan e seu amigo Don Luís, onde ambos contam suas seduções um para o outro, procurando saber qual o mais conquistador. Don Juan excede a Don Luís que, então, lança-lhe o desafio de conquistar uma mulher com a alma pura, deitando nele o desejo de conquistar uma mulher devota. Então, este propõe-se a seduzir Dona Inês, noiva de Don Luís - o que efetivamente consegue, ao tempo em que encontra o verdadeiro amor. Enraivecidos, o pai de Dona Inês junto a Don Luís procuram vingar-se. A história termina com uma disputa entre as almas de Dona Inês e do seu pai pela alma de Don Juan: enquanto este tenta levá-lo para o inferno, aquela consegue trazê-lo para o céu.

Na representação poética feita por Aleksandr Blok, a estátua somente é mencionada como uma figura que se apresenta, receosa, junto a uma Dona Anna que jaz morta, enquanto Don Juan aguarda seu retorno ao aproximar-se da própria morte.

Em "La gitanilla" (A ciganinha), novela de Miguel de Cervantes, a personagem que se apaixona pela cigana chama-se "Don Juan de Cárcamo" - provavelmente uma referencia com a lenda popular.

Uma peça chamada Don Juan (no original: "Don Giovanni Tenorio, ossia Il Disoluto") foi escrita em 1736 por Carlo Goldoni, famoso dramaturgo italiano de comédias.

No romance O Fantasma da Ópera, a ópera que está sendo escrita pelo fantasma é "Don Juan triunfante".

O famoso poeta romântico Lord Byron escreveu uma versão épica para Don Juan, que é considerada sua obra-prima. Entretanto, esta obra restou inacabada, com sua morte, mas retrata um Don Juan vitimado por uma educação católica repressiva, sendo fruto inocente desta visão distorcida. Neste poema Don Juan é iniciado no verdadeiro amor pela bela filha de um pirata, que o vende depois como escravo para a esposa de um sultão, a fim de satisfazer-lhe os desejos carnais. O Don Juan de Byron é menos sedutor e mais uma vítima dos desejos femininos e de seus infortúnios. Don Juan foi tambem o nome do barco do poeta Percy Bysshe Shelley, amigo de Byron.

Também José Saramago deu sua versão moderna para o mito, seguindo uma trilha aberta pelo também escritor português Almeida Faria (na obra "O conquistador"). Saramago, que intitulou sua obra como Mozart (Don Giovanni), ao contrário de Faria, devolveu à história seu tom dramático original.


[editar] Pintura

"La Barque de don Juan", por Delacroix."La Barque de don Juan" ou "Le Naufrage de don Juan" é uma pintura do artista francês, Eugène Ferdinand Victor Delacroix, pintada no ano de 1841, inspirada nas páginas de Byron, onde trata sob sua ótica pessoal as palavras do poeta:
"Un océan sans fin aux flots lourds et clapotants et une étroite bande de ciel plein de colére et chargé d'ouragan sert de cadre à la barque sans voile, sans rame, sans boussole, sans gouvernail, où une vingtaine d'hommes demi-nus, hâves, maigres, convulsés par les plus sinistres convoitises, tirent au sort la victime qui doit nourrir ses compagnons".
Numa tradução livre:Um oceano sem fim de lama pesada e um uma estreita faixa de céu plena de cólera e carregado como um furação faz a um barco sem vela, sem remo, sem bússula, sem leme, onde uma vintena de homens semi-nus, desfigurados, magros, convulsionados pela mais sinistra luxúria, escolhendo ao acaso a vítima que irá alimentar seus companheiros.
Um quadro de Alfred Johannot, representando dom Juan naufragando por Haydée foi exposto, em 1831.

[editar] Obras inspiradas no mito de Don Juan
1665: Molière - a comédia Don Juan.
1676: Thomas Shadwell - a peça The Libertine (o libertino).
1736: Carlo Goldoni - a peça Don Giovanni Tenorio, ossia Il Disoluto.
1787: Mozart - ópera Don Giovanni.
1821: Byron - poema épico Don Juan.
1829: Christian Dietrich Grabbe - peça Don Juan and Faust (Don Juan e Fausto).
1830: Pushkin - a peça The Stone Guest.
1831: Alexandre Dumas - a peça Don Juan de Maraña.
1840: José de Espronceda - poema El estudiante de Salamanca.
1841: Franz Liszt - com temas para a ópera de Mozart: Réminiscences de Don Juan.
1844: José Zorrilla y Moral - Don Juan Tenorio.
1861: Charles Baudelaire, Don Juan aux enfers, poema.
1874: Guerra Junqueiro, A morte de D. João, poema.
1878: Ford Madox Brown - pintura The Finding of Don Juan by Haidee.
1889: Richard Strauss - poema sinfônico Don Juan.
1903: George Bernard Shaw - a peça Man and Superman (Homem e super-homem)
1902: 5: Ramón del Valle-Inclán - Las sonatas.
1910: Gaston Leroux - em seu livro O Fantasma da Ópera, menciona uma ópera intitulada Don Juan Triumphant.
1910: 12: Aleksandr Blok - Os Passos do comandante (Шаги командора)
1926: Don Juan - filme mudo de 1926, estrelado por John Barrymore.
1936: Ödön von Horváth - Don Juan kommt aus dem Krieg.
1942: Paul Goodman - a novela Don Juan or, The Continuum of the Libido (Don Juan ou, o continuum da libido), ed. Taylor Stoehr, 1979.
1948 : As Aventuras de Don Juan com Errol Flynn.
1953: Max Frisch - Don Juan oder die Liebe zur Geometrie.
1936: Ödön von Horváth - Don Juan kommt aus dem Krieg.
1973: Don Juan ou Si Don Juan était une femme... filme estrelado por Brigitte Bardot.
1990: Almeida Faria - romance O Conquistador.
1992: They Might Be Giants - canção The Statue Got Me High, possivelmente inspirado na ópera de Mozart.
1995: Don Juan deMarco - filme estrelado por Johnny Depp e Marlon Brando.
1998: Don Juan - filme de 1998.
1997: David Ives - comédia Don Juan in Chicago.
2004: Peter Handkes - "Don Juan (erzählt von ihm selbst)".
2005: José Saramago - a peça Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido.
2005: Jim Jarmusch - filme Broken Flowers.

segunda-feira, 17 de março de 2008

A Indecisão


Lembrem-se do Selo de Salomão: os seus dois triângulos entrelaçados que juntam e separam o amor, sem dúvida alguma, estão enlaçados (São as duas lançadeiras com que tece e destece o tear de Deus).

O triângulo superior simboliza a Kether, o Pai que se encontra em segredo, a Chocmah, o Filho, e a Binah, o Espírito Santo de cada homem. O triângulo inferior representa os três traidores de Hiram Abif. Esses três traidores estão dentro de nós mesmos.

O primeiro traidor é o demônio do desejo e vive dentro do corpo astral. O segundo traidor é o demônio da mente e vive no corpo mental. O terceiro traidor é o demônio da má vontade, e vive dentro do corpo da vontade ou corpo causal.

A Bíblia cita estes três traidores no Apocalipse de São João. Vejamos os versículos 13 e 14 do capítulo 16: "E vi sair da boca do Dragão, da boca da Besta e da boca do falso Profeta, três espíritos imundos, semelhantes a rãs". (Versículo 13). "Porque são espíritos de demônios que fazem sinais para ir aos reis da terra e de todo mundo, para os congregar para a batalha daquele grande dia, do Deus Todo-Poderoso". (Versículo 14).

Os três traidores são o Ego reencarnante, o Eu Psicológico, o Satã que deve ser dissolvido para encarnarmos o Cristo Interno, constituído por Kether, Chocmah e Binah. O triângulo superior é o resplandecente Dragão de Sabedoria. O triângulo inferior é o Dragão Negro.

No centro dos triângulos, acha-se o Signo do Infinito ou a cruz Tau. Ambos signos são fálicos.

A alma está entre os dois triângulos e tem de se resolver pelo Dragão Branco ou pelo Dragão Negro. O problema é absolutamente sexual.

A chave encontra-se na serpente. As patas do galo dos Abraxas formam uma dupla cauda de serpente. Existe a serpente tentadora do Éden e a serpente de cobre de Moisés, entrelaçada no Tau, isto é, no Lingam sexual. (Lingam é o falo e Yoni é o útero).

A serpente normalmente está encerrada no chacra Muladhara, Igreja de Éfeso. Ela dorme nesse centro do cóccix enroscada três vezes e meia e deve sair de sua Igreja inevitavelmente. Se subir pelo canal medular, convertemo-nos em anjos, mas, se descer para os infernos atômicos do homem, transformamo-nos em demônios.

Agora, compreenderam porque a serpente do Caduceu é sempre dupla. A força sexual é o FIO dos gnósticos. Quando o estudante derrama o vaso de Hermes, durante suas práticas com o Arcano A.Z.F., comete o crime dos Nicolaítas. Eles usavam este sistema para fazer baixar a serpente. Eis como o homem converte-se em demônio.

Somente trabalhando com a Pedra Filosofal, dentro do laboratório sexual do alquimista prático, consegue-se o desenvolvimento completo e positivo da serpente.

O triângulo superior é o centro do microcosmo e do macrocosmo alquimistas. No centro do triângulo, não pode faltar o signo do mercúrio da filosofia secreta, o Ens Seminis. O homem e a mulher devem trabalhar com o sol e a lua, com o ouro e a prata, (símbolos sexuais), para realizar a Grande Obra. Sem dúvida, o trabalho costuma ser difícil porque o Bode de Mendes, o Dragão Negro, trata de fazer cair sexualmente o alquimista. No entanto, urge trabalhar com os quatro elementos da alquimia para a realização da Grande Obra.

O macrocosmo alquímico está iluminado pela luz, este é o triângulo superior do Selo de Salomão. O microcosmo alquímico está em sombras na região onde as almas lutam contra o Dragão Negro.

É precisamente no microcosmo, representado também pelo triângulo inferior, onde devemos realizar todo o trabalho do laboratório alquimista. A gravura maravilhosa do microcosmo e macrocosmos alquimistas (ilustração de Chimica Basilica Philosophica) representa o homem e a mulher trabalhando com o sol e com a lua, símbolos do falo e do útero.

Nesse quadro medieval, não aparecem duas mulheres nem tampouco dois homens. Esse crime contra a natureza origina o vampiro imundo. Os tenebrosos justificam os crimes contra a natureza e a Lei os castiga, separando-os do triângulo superior. Então, rodam no abismo.

Os mistérios do Lingam-Yoni são terríveis e divinos, não podendo jamais ser alterados. O Lingam pode unir-se apenas com o Yoni. Esta é a lei da Santa Alquimia. As bodas alquímicas significam, de fato, Matrimônio Perfeito. O alquimista não deve somente matar o desejo, como até a sombra da árvore horrível do desejo.

Nos mistérios de Elêusis, utilizavam-se as danças sagradas entre homens e mulheres. O amor e a música sagrada servem para encantar e despertar a serpente. Os dançarinos do templo estavam limpos do veneno asqueroso do desejo.. Todo pecado será perdoado, menos o pecado contra o Espírito Santo. (Aquele que fornica, peca contra seu próprio corpo. Versículo 18, Capítulo 6 do I Coríntios). Não somente fornica-se com o corpo físico, como também com o pensamento, com a emoção, com a palavra e com as sensações animais.

Nos mistérios de Elêusis, os casais dançavam para magnetizarem-se mutuamente. Os homens dançando com as mulheres chegavam ao êxtase. O intercâmbio bio-eletro-magnético entre homens e mulheres não pode ser substituído por nada. Que poder gigantesco, terrivelmente divino, grandioso... Deus resplandece sobre o casal perfeito! Se tu queres a Auto-Realização Íntima, recorda este aforismo alquimista: "Há que se imitar a natureza em tudo. A natureza gosta da natureza. A natureza domina a natureza".

Buscar o saber antigo e oculto e realizar a Grande Obra em seu laboratório sexual, eis a tarefa do alquimista. A Grande Obra é difícil, significa muitos anos de experiências, sacrifícios terríveis e tremendas dificuldades.

Existe o agente transmutador (a Pedra dos Filósofos), uma influência celestial (religiosidade cósmica), diversas influências astrais (astrologia esotérica), além de influências de letras, números, correspondências e simpatias (cabala)..

Os princípios sagrados da alquimia são:

Unidade.
Par de opostos: homem e mulher.
Trindade: ativo, passivo e neutro.
Elementos: fogo, ar, água e terra.

No Selo de Salomão reúne-se todo o trabalho da Grande Obra. As seis pontas da estrela são masculinas e as seis fundas entradas, que existem entre ponta e ponta, são femininas. Total, a estrela de Salomão tem doze raios, sendo seis masculinos e seis femininos. A estrela de Salomão é o símbolo perfeito do Sol Central.

No Selo de Salomão, acham-se resumidas as medidas zodiacais. Nele, esconde-se toda a gênese sexual do zodíaco e ainda encontramos a íntima relação que existe entre o zodíaco e o invisível Sol Central. Os doze raios da brilhante estrela cristalizam-se por meio da alquimia das doze constelações zodiacais.

Quando o estudante penetra no interior do Templo da Esfinge, pode estudar ali o grande livro da natureza, onde estão escritas as leis cósmicas.

Realmente, são muito poucos aqueles que podem abrir o livro e estudá-lo. A prova do Santuário aterroriza e muito poucos seres humanos conseguiram passar por essa prova. Todo aquele que passa vitorioso a prova do Santuário recebe uma jóia preciosa: o Selo de Salomão. Trata-se de um anel cheio de luz inefável. Perde-o, inevitavelmente, o neófito que o toca com a mão esquerda.

Outro significado do Selo de Salomão: Em cima, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Em baixo, o poder que governa (o Íntimo), o poder que delibera (a mente) e o poder que executa (a personalidade). Quando o poder que delibera e o poder que executa se insubordinam contra o governador, se rebelam contra o Íntimo, o resultado é o fracasso.

Os três traidores sabem como se apoderar dos poderes que deliberam e executam. Os Boddhisattwas sabem, muitas vezes, receber mensagens dos mundos superiores. Os ignorantes confundem os Boddhisatwas com os médiuns do espiritismo.

Existe o médium e o mediador. O médium é negativo e o mediador positivo. O médium é o veículo da serpente tentadora do Éden. O Boddhisattwa mediador é o veículo da Serpente de Cobre que curava no deserto aos israelitas.

Os Grandes Mestres sabem ditar mensagens com os lábios de seus Boddhisattwas. As pessoas não entendem e confundem os medianeiros com os simples médiuns do espiritismo. As pessoas deixam-se levar pelas aparências.

No Selo de Salomão, estão representadas as forças positivas e negativas do magnetismo universal.

Nos trabalhos de Alta Magia, é necessário traçar um círculo ao redor, o qual seria totalmente fechado, se não estivesse interrompido pelo Selo de Salomão.

Os irmãos gnósticos devem fabricar o Selo de Salomão com os sete metais. Pode-se fazer anéis e medalhões com o Selo de Salomão. Deve-se utilizar o Selo de Salomão em todos os trabalhos de invocação e em práticas com os elementais, como ficou ensinado no Arcano IV.

Os elementais da natureza tremem diante do Selo do Deus Vivo. O anjo do sexto selo do Apocalipse está agora reencarnado em um corpo feminino, sendo um especialista na ciência sagrada dos Jinas.

O Arcano VI é o enamorado do Tarot. O homem entre o vício e a virtude. O Arcano VI é encadeamento, equilíbrio, união amorosa de homem e mulher. Luta terrível entre o amor e o desejo, enlaçamento.

No Arcano VI, estão os mistérios do Lingam e do Yoni, bem como a luta entre os dois ternários. O Arcano VI é a suprema afirmação do Cristo Interno e a suprema negação de Satã.

Orai e vigiai.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Integrando a Sombra

Planetas: Símbolos Arquetípicos
Glifos Planetários
O Sol
A Lua
Mercúrio
Vénus
Marte
Júpiter
Saturno
Planetas Transaturninos ou Transpessoais
Urano
Neptuno
Plutão
Por Juliana Estevez

Plutão

Descoberta

Em 1905 Percival Lowell desconfiou que deveria haver um outro planeta depois de Urano, e passou toda a sua vida tentando encontrá-lo no céu, mas só depois de sua morte, em 1930 é que Plutão foi realmente avistado.
Os eventos mais significativos da época da descoberta também revelam características importantes sobre Plutão.
Em 1929, a grande depressão foi causadora de desempregos, pobreza generalizada e muitos suicídios. Foi uma das maiores crises vistas até então, causadas em parte pelos excessos consumistas despertados pouco antes, no início do século.
Na Europa mudanças de governo também ocorriam. Caiu o regime dos Czares na Rússia, o nacional-socialismo subiu na Alemanha, assim como Hitler, Mussolini, etc., culminando na Segunda Guerra mundial. Período ditatorial, de luta pelo poder e muitas mortes, todos temas plutónicos.
O plutónio radioactivo estava em máximo desenvolvimento e assim como a bomba atómica. A bomba atómica é um exemplo excelente de como funciona a energia de Plutão. Algo que parece pequeno mas que causa uma destruição imensa.
Nas artes, era o período do movimento surrealista. Este movimento acompanhou o período de aprofundamento e exploração do inconsciente, com o desenvolvimento da psicologia de Carl G. Jung. Foi também o auge da psicanálise e foi também o período em que surgiu a nova astrologia, desenvolvida por Dane Rudhyar, que não só a desmistificou como também a elevou para níveis verdadeiramente psicológicos.

Astrologia

Em termos da posição de Plutão no sistema solar, este é o ultimo planeta descoberto até agora e representa o fim do sistema solar a fronteira entre o conhecido e o desconhecido, entre a ordem estabelecida pelo sol (consciência) e o Caos (inconsciência).
O que está para lá da fronteira de Plutão é aquilo que a consciência não pode conhecer, não alcança. Pode ser desde o inconsciente colectivo, até arquétipos que ainda não foram incorporados na psique humana. De qualquer forma, é o desconhecido absoluto, a realidade que é impossível de descrever.
Sendo o planeta mais afastado do Sol é o que recebe menos luz, representando a nossa parte menos conhecida, mais escura, ou aquilo que Jung chamou de Sombra. Já vimos este conceito quando estudamos Saturno. De facto, tanto Saturno quanto Plutão são fronteiras, e portanto mostram o extremo de algo, e o mais afastado do centro, sendo por isso mesmo dois factores psíquicos que representam a Sombra.
A sombra associada a Plutão é diferente da de Saturno. A sombra de Saturno esta associada a repressão de comportamentos e ideias que são contra os ideais morais e sociais. A sombra de Plutão esta ligada com a repressão de ideias, desejos e comportamentos que são contra a própria natureza humana, são hediondos, bárbaros, selvagens, vão muito mais fundo que os tabus de Saturno. A sombra plutónica revela o “demónio interior”, aquilo que temos de perigoso em nós e que se solto torna-se mais forte do que as estruturas do ego conseguem segurar, então é algo de intensidade ameaçadora, obsessiva, destruidora. É preciso levar luz à sombra, e portanto coscientiza-se dela é um ato de cura e lucidez. Os aspectos positivos da sombra também são tornados conscientes e ampliam o indivíduo. Quando negada, a sombra é inconscientemente projectada e passa-se a odiar ou admirar o objecto da projecção. Além disso pode causar um profundo sentimento de culpa devido a não auto- responsabilização e de auto destruição no caso da sombra permanecer renegada. A aceitação da sombra permite a auto aceitação sem julgamentos e consequentemente a aceitação genuína do outro, o que leva a tolerância do diferente no outro.
A integração da sombra permite que se transcenda a dualidade no nível da personalidade. Se sou só bonzinho, projecto o demónio no outro. Ao integrar na consciência o bom e o mau me torno integrado, longe de ser perfeito, mas inteiro.

Plutão por ser um arquétipo colectivo também se manifesta num fenómeno psicológico único, a sombra colectiva. A sombra colectiva revela a projecção colectiva de aspectos do inconsciente colectivo e se manifesta como ódio ou admiração colectivas a algo ou alguém. A Alemanha nazista é um exemplo de Sombra colectiva. A admiração à Hitler e ódio generalizado aos Judeus levou esta nação a cometer os crimes mais bárbaros e desumanos contra este povo, e este episódio ocorrido na altura da descoberta de Plutão teve fim com a perda da guerra e o suicídio de Hitler, figura sobre a qual foi projectada a admiração endeusada da sombra colectiva alemã. A inquisição e “caça as bruxas” ocorrida na idade média também são um exemplo de projecção da sombra colectiva.

Por estar tão associado a estes aspectos mais primitivos, violentos, de sobrevivência, Plutão é considerado a oitava de Marte.

Num nível transpessoal Plutão representa a morte do ego e o nascimento do Self livre. Para isto acontecer Plutão trará para a consciência tudo o que deve ser eliminado, limpo, purificado para se regenerar.
Devido a sua posição no sistema solar, representando o extremo mais longínquo do Sol, uma das características mais marcantes de actuação deste planeta é exactamente levar as coisas ao seu extremo. Plutão radicaliza as experiências, actuando pelo “tudo ou nada”.
Pomos dividir os significados de Plutão em dois estágios. O primeiro estágio, se Plutão actua pelo lado de dentro da “fronteira” (ø), ele representa a máxima força de sobrevivência, o instinto máximo de auto preservação, o extremo do poder a serviço do Ego, esta associado a Marte, sua oitava inferior. O segundo estágio, actuando pelo lado de fora da “fronteira”(Á), representa a rendição à morte, ao desconhecido, e a unidade com o todo.
No primeiro estágio Plutão actuará como energia instintiva controlada e canalizada para a afirmação e sobrevivência do ego através do poder.
Porque existe essa necessidade de poder?
O ego existe para estruturar a psique. Através de um sistema de defesas a função do ego é defender a psique dos estímulos ameaçadores da realidade que ameaçam desintegrar a psique. Então, através do controle, o ego luta para sobreviver à tudo e inclusive à morte. A morte é a única certeza inevitável, mas mesmo assim, ilusoriamente o ego se defende desta realidade. Por isso Plutão representa esta força de vontade que nasce do medo da morte, do medo da perda, do medo da mudança, medo da desintegração, medo do desconhecido e do caos. A necessidade de ter poder, de controlar nasce deste medo instintivo. Toda agressividade, violência, competição e dominação nascem deste mesmo medo.
Plutão actua com uma qualidade obsessiva, condiciona o indivíduo através de um desejo compulsivo qualquer.
Como a lei da impermanência continua a existir, a morte vem, a perda acontece e então a rendição a ela será obrigatória, mais cedo ou mais tarde. Plutão actua radicalizando levando este poder ao extremo, a resistência à morte ao extremo, mas ao chegar a este extremo toca-se o outro, a própria morte.
Plutão então provoca a transcendência, a pacificação através da rendição. Aí, passa a actuar no segundo estágio, onde percebe-se a ilusão do poder, então Plutão evidencia o podre, o denso, o sujo, aquilo que deve ser purificado.
A partir daí começa um processo doloroso de destruição, aniquilação de tudo o que é inútil e ilusório. Aceita-se a impermanência das coisas, os fins, as mortes e só então acontece uma transmutação, uma regeneração, o renascimento do self, livre das ilusões de controlo e poder do ego.

Quem não conseguir chegar ao extremo da lição que o planeta representa, o considerará maléfico, terrível e destruidor. Mas quem chegar ao outro lado da fronteira compreenderá que todas as experiências, as boas e as mas, são oportunidades de aprendizado e evolução. Compreende-se que a dor faz parte, a morte faz parte e sua aceitação verdadeira torna-as menos horríveis.
O máximo do aprendizado de Plutão pode levar o indivíduo a viver acima das dualidades, acima do prazer e da dor. O indivíduo inteiro já não se identifica com uma coisa ou com outra. Simplesmente as transcende.

Algumas imagens naturais podem ser associadas aos planetas transpessoais.
A imagem do terremoto é uma excelente imagem para Urano. A terra treme, sem aviso, e causa fissuras e destruição nas estruturas velhas e pouco flexíveis.
Neptuno actua como um maremoto que engole a costa e dissolve lentamente suas vegetação no fundo do mar.
Plutão pode ser associado à imagem do vulcão. Montanha serena por fora, mas com magma derretido por dentro, que periodicamente explode soltando gases venenoso e lava, destruindo tudo o que esta em volta. Inicialmente, a rocha arrefecida deixa uma paisagem estéril e desértica em volta do vulcão. Mas esta rocha é rica em nutrientes e pouco tempo depois começa a nascer vegetação exuberante até formar uma floresta quando de novo o vulcão explode, destruindo toda a paisagem e reiniciando o ciclo.

Astrologicamente Plutão no mapa natal indicará a área onde perderemos nossa inocência e através de uma perda, dor, morte ou fracasso nos tornaremos mais sábios, mais inteiros, mais conscientes. Plutão mostra onde tendemos a querer controlar, dominar, impor nosso poder aos outros, agir obsessivamente. Através da perda desta ilusão, a casa onde esta Plutão poderá revelar como transcendemos os limites egóicos, onde e como podemos ser agentes de transformação das nossas vidas e da vida dos outros.
Também pode mostrar onde e como reprimimos, projectamos e integramos a sombra pessoal.

Glifo:

Existem três principais símbolos para Plutão. O símbolo que encontramos nas Efemérides geralmente surge de um P e um L juntos, que tanto representam as iniciais do planeta como a do descobridor, Percival Lowell.
Como a própria interpretação de Plutão tem dois níveis, o segundo símbolo representa o nível inferior de Plutão, ø A meia-lua acima da cruz que esta acima o círculo. Representando o espírito, o inteiro, o pleno (O), aprisionados pela matéria (+) e pela carência, pela falta, pelo desejo de... (meia-lua).
O terceiro Glifo representa o nível superior de Plutão, o círculo acima da meia-lua e acima da cruz, representando o espírito, o pleno (O) livres e acima dos desejos, da alma (meia-lua) e do corpo, da matéria (+).

Associação à Alquimia

Na alquimia, Plutão (ø) simboliza o processo chamado de “Hubris”. Este processo representa o desejo de elevar a um estado divino algo que está num estado humano e impuro. A Hubris alquímica é um poder “endeusificado”, é a maior “tentação” e “pecado” que o alquimista pode cometer. Este processo ocorre quando o solvente universal não conseguiu corroer todas as impurezas da obra, isto é quando Neptuno não dissolveu as barreiras egóicas do alquimista, e no estágio final da obra surgem impurezas do ego representadas pelo desejo de poder e a crença que se é o Todo poderoso ou Deus. A humildade, a purificação, e a noção de universalidade e igualdade que são efeitos do solvente universal (Neptuno) não acontecem e o alquimista cai na tentação ambiciosa do Ego e então toda a obra é destruída violentamente, pondo em risco a própria vida do alquimista.


Mitologia

Na mitologia Plutão é Hades, o deus dos infernos, do mundo invisível subterrâneo. Hades, além de ser o nome do deus é também o nome da região regida por ele. Este reino é sombrio e belo ao mesmo tempo. A própria palavra Hades significa riquezas ocultas.
O Hades é rodeado por dois rios envenenados, Éstige e Aqueronte, e as almas dos mortos atravessam estes rios ajudadas pelo barqueiro Caronte, e vão para uma espécie de Purgatório, para se purificarem, antes do renascimento.
Antes de atravessarem o portão que leva ao desconhecido, é preciso ainda enfrentar Cérbero, o cão guardião de três cabeças, e só então se passa para o outro lado.

O mito que mais revela as funções astrológicas de Plutão é o mito do rapto de Perséfone.
Perséfone é a filha de Deméter, a mãe natureza. Esta jovem belíssima e ingénua está sempre colhendo flores nos campos distantes, e um dia o deus vem à superfície e se apaixona pela bela jovem que é raptada e levada a força para o Reino de Hades. Presa neste mundo invisível, Perséfone resiste o máximo que pode, mas é forçada a se render e é estuprada pelo Deus, perdendo sua inocência junto com sua virgindade. Hades a mantém no inferno por muito tempo, e ela acaba se apaixonando pelo raptor. Sabendo que é proibido comer qualquer coisa neste reino, com a pena de passar a pertencer a ele para sempre, Perséfone come uma romã, e é coroada rainha do Hades, tornando-se sua esposa.
Enquanto isso na superfície, Deméter sua mãe, a procura obsessiva e incessantemente por todos os cantos do mundo. Depois de ter vasculhado tudo sem nada encontrar, Deméter roga desesperada a Zeus que intervenha e diga onde esta sua filha desaparecida. Zeus a ignora, sabendo que não pode nada fazer quanto as regras do reino do irmão Hades. Deméter resolve se vingar, sendo a mãe natureza, pára de produzir e um Inverno rigoroso se instala por muito tempo. Os homens começam a rogar aos deuses, implorando por tempos melhores, começam a passar fome e a morrer, quando Zeus vê que Deméter não vai ceder e a humanidade corre risco de acabar, intervém finalmente, mandando Hermes ir ao inferno mediar as negociações. Devido a chantagem de Deméter, Hades é obrigado por Zeus a deixar a mulher voltar para a mãe, mas não cede, já que Zeus não pode interferir nas regras de seu reino. Toda a ordem e a vida ficam ameaçados até que o sábio Hermes sugere que Perséfone fique meio ano com o marido e meio ano com a mãe, e todos, felizmente, concordam. Quando Perséfone chega a superfície da terra, a mãe fica muito feliz e toda a natureza floresce, dando início a primavera. Nos meses seguintes, o verão também é exuberante e só começa a minguar quando Persefone volta para o marido. A saudade da filha faz com que a mãe natureza se entristeça e se ressinta, e estão tudo começa a morrer até o Inverno. Quando a filha volta, se inicia novamente o ciclo das estações que simboliza o trajecto de morte e renascimento de Perséfone e de toda a natureza.

Este mito revela importantes significados de Plutão.
Primeiramente, analisemos o reino de Hades, o inferno.
Psicologicamente, o inferno invisível representa as profundezas da psique, isto é, o inconsciente. Plutão tem suas raízes no inconsciente colectivo, e actua individualmente de forma também inconsciente revelando impulsos, desejos, acções e comportamentos que não são portanto, controlados pelo ego consciente.
A noção de purgatório, isto é de ir as profundezas para reconhecer o que precisa de purificação também faz parte dos significados de Plutão, assim como se render, morrer e renascer.
Antes do renascimento é preciso enfrentar o guardião do portão, o cão de três cabeças Cérbero. Este cão simboliza a dualidade instinto-racional. É um animal, tem três cabeças e se chama Cérbero (cérebro). Enfrentar o cão representa enfrentar esta dualidade, e se conseguir ultrapassar o portão, então se consegue ultrapassar a dualidade humana, os desejos instintivos e os mecanismos racionais. A necessidade egóica de sobrevivência desaparece, pois incorpora-se a morte como fazendo parte da existência, assim como a vida. Todas as dualidades são unificadas, e o Self se liberta ao incorporar o inconsciente.

O mito de Perséfone também revela muito sobre este arquétipo Plutónico. O Plutão astrológico actua na consciência exactamente como o Hades mitológico. Perséfone representa a consciência ingénua. As vezes, Plutão vem a superfície, rapta aquilo que é ingénuo e actua como uma violação, algo indesejado mas que somos obrigados a nos render. Sentimos a força do planeta seja no mapa natal ou num trânsito como uma inevitável força brutal que nos tira à força da confortável superfície e nos leva para o fundo de nós mesmos, onde ficamos presos e doridos.
A consciência através da dor amadurece e incorporamos a Lei mais importante de Plutão, a lei da Impermanência, que diz que nada permanece igual e tudo muda, e que a dor e a perda fazem parte e são tão essenciais à evolução quanto o prazer e a alegria. Perséfone ao comer a romã aceita seu destino. A romã é uma fruta que simboliza fertilidade, graças as suas muitas sementes, e que quando apodrece brota facilmente de si própria o que também simboliza morte e renascimento. Este simbolismo de começo e fim também esta presente na simbologia das estações da natureza, bem como no infinito ir e vir de Perséfone para dentro da terra e para a superfície, revelando também o movimento de ir para o inconsciente e voltar para o consciente.
Temas como destino, obsessão, paixão, sexualidade, estupro, poder, rendição, violência, desespero, manipulação, chantagem e vingança também aparecem no mito representando temas importantes associados ao Plutão.


Plutão rege Escorpião e a casa VIII.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Porque Projetamos Nossa Sombra no Outro

O nosso outro lado
"O INFERNO SÃO OS OUTROS"
Elaborado por Luciana Aparecida Voos


Persona é o que gostaríamos de ser e como gostaríamos que o mundo nos visse.
O ego é o que somos e conhecemos conscientemente.
A sombra é a parte de nós que não vemos nem conhecemos. Ela representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos.


É interessante como as pessoas têm medo daquilo que não conhecem, do seu lado obscuro e costumam evitar conhecê-lo, pois parecem sentir que é algo de muito ruim. Nosso lado sombrio não necessariamente é um lado mau. Lembro de uma amiga que me contou que sonhava muito com água, inundação. Disse a ela que seria muito bom compreender o simbolismo desses sonhos e ela me respondeu que tinha receio de 'mexer nisso'. Muitas vezes mantemos nossas potencialidades na sombra e não as descobrimos por receio de encontrar algo de terrível. Curiosamente as pessoas se empenham mais em resistir aos aspectos nobres de suas sombras do que em esconder seu lado escuro. Não podemos nos esquecer do Arquétipo do Curador interno com o qual aprendemos a nos curar e encontrar o ouro nas nossas vivências.


Segundo Jung, o ego e a sombra procedem da mesma origem e equilibram exatamente um ao outro, ou seja, fazer luz é fazer sombra. Quando agimos na extrema direita, teremos de equilibrar esse ato, consciente ou inconsciente, com algum ato do lado esquerdo.


Robert Johnson fala sobre como atos bons tem peso igual do lado sombrio e podem nos levar ao pecado. Você já conheceu aquela pessoa, homem ou mulher, que é extremamente calmo, nunca reclama, ninguém o tira do sério e, de repente, numa situação adversa, limite, essa pessoa surpreende a todos, 'estoura' numa agressividade extrema e põe pra fora ódios que tem guardado por muito tempo? Nesse exemplo podemos entender o que Robert diz: a mesma quantidade de energia que esta sendo investida no lado passivo, na persona, esta sendo enviada para o contrário, nesse caso o agressivo. Ou seja, um belo dia, essa energia oposta que também esta sendo alimentada inconscientemente vem á tona e a pessoa revela seu outro lado. Portanto, se fizer algo bom e não pagar o preço sombrio, logo serei rude com alguém ou entro em depressão. Mas como fazer isso? Não precisamos chegar ao ponto em que chegou o rapaz citado acima, acumulando toda nossa raiva e soltando numa única situação. Podemos dar forma ao nosso lado esquerdo sem prejudicar o direito e nossa vida social. Por exemplo: desenhando, esculpindo, escrevendo uma historia animada ou escrevendo sobre o que sente, dançando... Robert cita um caso de uma pessoa que molhava uma toalha e jogava com força no chão. Uma vivência simbólica ou cerimonial é real e afeta a pessoa da mesma forma que um fato real. Notamos isso em cerimônias religiosas que contém tanto trevas quanto luz; fala sobre morte, rejeição, tortura, ressurreição, renascimento.


Temos a tendência de rejeitar o lado escuro de nossa mente, mas ele faz parte de nossa natureza e rejeitá-lo significa armazenar ou acumular trevas. Mais tarde isso se expressa na forma de mau humor, doença psicossomática ou acidentes inspirados pelo inconsciente.


O que ocorre outras vezes é a projeção dessa sombra fora de nós, o que significa uma fuga da responsabilidade. Nós colocamos nos outros aquelas características que rejeitamos em nós. Você já passou por uma situação em que não gostou de alguém só de olhar para ela? Provavelmente ela tem conteúdos seus que são desconhecidos, rejeitados por você. Tente escrever sobre o que você acha dessa pessoa e depois leia pensando ser você.

A importância da conscientização desses conteúdos é porque a evolução da consciência exige que integremos a sombra em nós mesmos e não que a projetemos nos outros. Quando um pai deposita a sombra sobre uma criança pequena, rompe a personalidade da criança e aciona a guerra entre o ego e a sombra. A criança terá a tendência a colocar sua sombra em seus filhos e assim por diante.


"Os pecados de um homem recairão sobre a terceira e a quarta geração..." (Êxodo 20:3-17).


Quando um pai vive pouco de seu potencial e o projeta no filho, e o filho assume essa tarefa conscientemente, sente que precisa viver duas vidas e que precisa realizar aquilo que o pai não conseguiu, ou seja, acaba carregando o fardo do pai. É importante carregar para si seus próprios fardos, não podemos mais nos permitir descontar em outra pessoa o nosso lado não vivido. Mas será possível rejeitar uma projeção de outra pessoa, como nesse caso do pai e filho? Somente se o filho tiver sua sombra razoavelmente controlada. Rejeitar a sombra do outro não é lutar contra, mas é fazer como um bom toureiro que apenas deixa que o touro passe de lado. Não é falta de genialidade estar na presença da sombra de outra pessoa e não reagir. Quando recuamos, permitimos que a projeção tome o seu rumo.

Mas também tem casos em que projetamos o melhor de nós nos outros e adoramos heróis. Todos os heróis precisam ser interiorizados. É difícil para outra pessoa bancar o herói por nós. Quando estamos apaixonados acontece algo semelhante, projetamos no outro nossa parte mais nobre e a pessoa parece perfeita, sem defeito nenhum. Deixamos de ver o outro por inteiro, na sua totalidade. Com o tempo a projeção vai saindo e vamos percebendo melhor o outro.


Eu estou falando de casos particulares, mas o micro também representa o macro. Quando integramos nossa sombra pessoal, estamos diminuindo a sombra do mundo. Como vimos no filme "Efeito Borboleta", mesmo quando poucas pessoas encontram a plenitude, o mundo todo sofre uma influencia positiva. No filme, uma pequena ação do protagonista, uma mudança sutil em suas escolhas mudava completamente o seu futuro e o de outras pessoas. Atualmente há o acúmulo de sombra sobre nós de uma sociedade inteira que adorou seu lado luminoso e recusou o escuro, e esse resíduo aparece na forma de guerra, caos econômico, greves. As manchetes arremessam a sombra sobre nós. Portanto, projetar a sombra nos outros nos leva coletivamente á guerra.


Enfim, precisamos permitir que ambos os lados de uma questão, os dois opostos, existam com igual dignidade e valor. Fica aqui o convite pra você buscar se conhecer sem medo de ser feliz!!! Aprenda a integrar e se aceitar na totalidade, seu lado A e B, e ajude a construir um mundo melhor para todos!


Para saber mais:
- Johnson, Robert A, A magia interior, Mercuryo.
- Alves, Liane, artigo revista Vida Simples, março de 2007.

terça-feira, 4 de março de 2008

O Coração como Método

O coração como método - Osho

O homem pode funcionar a partir de três centros: um é a cabeça, outro é o coração e o terceiro é o umbigo. Quando você funciona a partir da cabeça, você produz pensamentos, pensamentos e pensamentos. Eles são muito insubstanciais, da matéria dos sonhos – eles prometem muito e não entregam nada.

A mente é uma grande trapaceira, mas tem uma tremenda capacidade de iludir, porque ela pode projetar. Ela pode lhe dar grandes utopias, grandes desejos, e vai sempre dizendo: "Amanhã vai acontecer" – e nunca acontece.

Nada acontece na cabeça – a cabeça não é o lugar para as coisas acontecerem.

O segundo centro é o coração. É o centro do sentir – sentimos através do coração. Você está mais perto de casa – não ainda em casa, mas mais próximo. Quando você sente, você é mais substancial, você tem mais solidez; quando você sente, há a possibilidade de algo acontecer. Não há nenhuma possibilidade com a cabeça, há uma pequena possibilidade com o coração.

A coisa real não é o coração ainda. A coisa real é mais profunda que o coração – é o umbigo. É o centro do ser.

Pensar, sentir e ser – esses são os três centros. Mas certamente o sentir está mais próximo do ser do que o pensar, e o sentir funciona como um método.

Se você quiser descer da cabeça, precisará passar pelo coração – esse é o ponto de cruzamento onde as estradas se separam. Você não pode ir diretamente ao ser, não é possível; você precisará passar pelo coração. Assim, o coração deve ser usado como um método.

Sinta mais e você pensará menos. Não lute contra os pensamentos, porque lutar contra os pensamentos significa novamente criar outros pensamentos de luta. Então, a mente nunca é derrotada. Se você ganhar, foi a mente que venceu; se você for derrotado, você é o derrotado. Nunca lute contra os pensamentos; isso é inútil. Em vez de lutar contra os pensamentos, mova a sua energia para o sentir. Cante em vez de pensar, ame em vez de filosofar, leia poesia em vez da prosa. Dance, olhe a natureza, e tudo o que você fizer, faça-o através do coração.

Por exemplo, quando você tocar alguém, toque com o coração, toque sentindo, deixe seu ser vibrar. Quando olhar para alguém, não olhe simplesmente com olhos mortos como pedra. Deixe sua energia verter através dos olhos e, imediatamente, você sentirá que algo está acontecendo no coração. É apenas uma questão de experimentar.

O coração é o centro negligenciado. Quando você começa a prestar atenção nele, ele começa a funcionar. Quando ele começa a funcionar, a energia que estava automaticamente indo para a mente, começa a se mover através do coração. E o coração está mais próximo do centro de energia. O centro de energia está no umbigo – assim, bombear energia para a cabeça é, na verdade, um trabalho árduo.

É para isso que existem todos os sistemas educacionais: para ensiná-lo a bombear energia do centro, diretamente para a cabeça. Para ensiná-lo a se desviar do coração. Dessa maneira, nenhuma escola, nenhum colégio, nenhuma universidade ensina a sentir. Eles aniquilam o sentir, porque sabem que, se você sentir, não poderá pensar.

Se você sentir muito, então a energia ficará parada no centro do coração, não irá para a cabeça. Ela só pode ir para a cabeça quando o centro do coração é completamente negado. Ela tem de ir para algum lugar, tem de encontrar uma saída. Se o coração não for a saída, ela irá para a cabeça.

De fato, todo o sistema educacional desenvolvido em todo o mundo é para ensiná-lo a evitar o coração, a como tornar-se mais e mais mental e a como bombear a energia diretamente para a cabeça.

Assim, o amor é negado, o sentimento é negado, condenado – é quase um pecado sentir. A pessoa tem de ser lógica e racional, não emocional. Se você for emocional, as pessoas dirão que você é infantil – de certa forma, eles estão literalmente certos, porque só uma criança sente. Uma pessoa adulta instruída, culta, condicionada, pára de sentir. Ela se torna quase seca, madeira morta – não flui mais nenhum sumo dali. Daí haver tanto sofrimento: o sofrimento é por causa da cabeça.

A cabeça não pode celebrar, não há nenhuma celebração possível através da cabeça – ela pode pensar sobre e sobre e sobre, mas ela não pode celebrar. A celebração acontece através do coração.

Assim, a primeira coisa é começar a sentir cada vez mais e mais. Torne-se uma morada de amor, um santuário de amor; este é o primeiro passo. Uma vez que você dê este primeiro passo, o segundo será muito, muito fácil.

Primeiro, você ama – a metade da jornada está completa. E assim como é fácil mover-se da cabeça para o coração, é ainda mais fácil mover-se do coração para o umbigo. No umbigo você é simplesmente um ser, puro ser – sem sentir, sem pensar; você absolutamente não se movimenta. Esse é o centro do ciclone.

Tudo se movimenta: a cabeça está se movimentando, o coração está se movimentando. O corpo está se movimentando. Tudo está se movimentando, tudo está em um fluxo constante. Apenas o centro de sua existência, o centro do umbigo, não se move – ele é o eixo da roda.