Planetas: Símbolos Arquetípicos
Glifos Planetários
O Sol
A Lua
Mercúrio
Vénus
Marte
Júpiter
Saturno
Planetas Transaturninos ou Transpessoais
Urano
Neptuno
Plutão
Por Juliana Estevez
Plutão
Descoberta
Em 1905 Percival Lowell desconfiou que deveria haver um outro planeta depois de Urano, e passou toda a sua vida tentando encontrá-lo no céu, mas só depois de sua morte, em 1930 é que Plutão foi realmente avistado.
Os eventos mais significativos da época da descoberta também revelam características importantes sobre Plutão.
Em 1929, a grande depressão foi causadora de desempregos, pobreza generalizada e muitos suicídios. Foi uma das maiores crises vistas até então, causadas em parte pelos excessos consumistas despertados pouco antes, no início do século.
Na Europa mudanças de governo também ocorriam. Caiu o regime dos Czares na Rússia, o nacional-socialismo subiu na Alemanha, assim como Hitler, Mussolini, etc., culminando na Segunda Guerra mundial. Período ditatorial, de luta pelo poder e muitas mortes, todos temas plutónicos.
O plutónio radioactivo estava em máximo desenvolvimento e assim como a bomba atómica. A bomba atómica é um exemplo excelente de como funciona a energia de Plutão. Algo que parece pequeno mas que causa uma destruição imensa.
Nas artes, era o período do movimento surrealista. Este movimento acompanhou o período de aprofundamento e exploração do inconsciente, com o desenvolvimento da psicologia de Carl G. Jung. Foi também o auge da psicanálise e foi também o período em que surgiu a nova astrologia, desenvolvida por Dane Rudhyar, que não só a desmistificou como também a elevou para níveis verdadeiramente psicológicos.
Astrologia
Em termos da posição de Plutão no sistema solar, este é o ultimo planeta descoberto até agora e representa o fim do sistema solar a fronteira entre o conhecido e o desconhecido, entre a ordem estabelecida pelo sol (consciência) e o Caos (inconsciência).
O que está para lá da fronteira de Plutão é aquilo que a consciência não pode conhecer, não alcança. Pode ser desde o inconsciente colectivo, até arquétipos que ainda não foram incorporados na psique humana. De qualquer forma, é o desconhecido absoluto, a realidade que é impossível de descrever.
Sendo o planeta mais afastado do Sol é o que recebe menos luz, representando a nossa parte menos conhecida, mais escura, ou aquilo que Jung chamou de Sombra. Já vimos este conceito quando estudamos Saturno. De facto, tanto Saturno quanto Plutão são fronteiras, e portanto mostram o extremo de algo, e o mais afastado do centro, sendo por isso mesmo dois factores psíquicos que representam a Sombra.
A sombra associada a Plutão é diferente da de Saturno. A sombra de Saturno esta associada a repressão de comportamentos e ideias que são contra os ideais morais e sociais. A sombra de Plutão esta ligada com a repressão de ideias, desejos e comportamentos que são contra a própria natureza humana, são hediondos, bárbaros, selvagens, vão muito mais fundo que os tabus de Saturno. A sombra plutónica revela o “demónio interior”, aquilo que temos de perigoso em nós e que se solto torna-se mais forte do que as estruturas do ego conseguem segurar, então é algo de intensidade ameaçadora, obsessiva, destruidora. É preciso levar luz à sombra, e portanto coscientiza-se dela é um ato de cura e lucidez. Os aspectos positivos da sombra também são tornados conscientes e ampliam o indivíduo. Quando negada, a sombra é inconscientemente projectada e passa-se a odiar ou admirar o objecto da projecção. Além disso pode causar um profundo sentimento de culpa devido a não auto- responsabilização e de auto destruição no caso da sombra permanecer renegada. A aceitação da sombra permite a auto aceitação sem julgamentos e consequentemente a aceitação genuína do outro, o que leva a tolerância do diferente no outro.
A integração da sombra permite que se transcenda a dualidade no nível da personalidade. Se sou só bonzinho, projecto o demónio no outro. Ao integrar na consciência o bom e o mau me torno integrado, longe de ser perfeito, mas inteiro.
Plutão por ser um arquétipo colectivo também se manifesta num fenómeno psicológico único, a sombra colectiva. A sombra colectiva revela a projecção colectiva de aspectos do inconsciente colectivo e se manifesta como ódio ou admiração colectivas a algo ou alguém. A Alemanha nazista é um exemplo de Sombra colectiva. A admiração à Hitler e ódio generalizado aos Judeus levou esta nação a cometer os crimes mais bárbaros e desumanos contra este povo, e este episódio ocorrido na altura da descoberta de Plutão teve fim com a perda da guerra e o suicídio de Hitler, figura sobre a qual foi projectada a admiração endeusada da sombra colectiva alemã. A inquisição e “caça as bruxas” ocorrida na idade média também são um exemplo de projecção da sombra colectiva.
Por estar tão associado a estes aspectos mais primitivos, violentos, de sobrevivência, Plutão é considerado a oitava de Marte.
Num nível transpessoal Plutão representa a morte do ego e o nascimento do Self livre. Para isto acontecer Plutão trará para a consciência tudo o que deve ser eliminado, limpo, purificado para se regenerar.
Devido a sua posição no sistema solar, representando o extremo mais longínquo do Sol, uma das características mais marcantes de actuação deste planeta é exactamente levar as coisas ao seu extremo. Plutão radicaliza as experiências, actuando pelo “tudo ou nada”.
Pomos dividir os significados de Plutão em dois estágios. O primeiro estágio, se Plutão actua pelo lado de dentro da “fronteira” (ø), ele representa a máxima força de sobrevivência, o instinto máximo de auto preservação, o extremo do poder a serviço do Ego, esta associado a Marte, sua oitava inferior. O segundo estágio, actuando pelo lado de fora da “fronteira”(Á), representa a rendição à morte, ao desconhecido, e a unidade com o todo.
No primeiro estágio Plutão actuará como energia instintiva controlada e canalizada para a afirmação e sobrevivência do ego através do poder.
Porque existe essa necessidade de poder?
O ego existe para estruturar a psique. Através de um sistema de defesas a função do ego é defender a psique dos estímulos ameaçadores da realidade que ameaçam desintegrar a psique. Então, através do controle, o ego luta para sobreviver à tudo e inclusive à morte. A morte é a única certeza inevitável, mas mesmo assim, ilusoriamente o ego se defende desta realidade. Por isso Plutão representa esta força de vontade que nasce do medo da morte, do medo da perda, do medo da mudança, medo da desintegração, medo do desconhecido e do caos. A necessidade de ter poder, de controlar nasce deste medo instintivo. Toda agressividade, violência, competição e dominação nascem deste mesmo medo.
Plutão actua com uma qualidade obsessiva, condiciona o indivíduo através de um desejo compulsivo qualquer.
Como a lei da impermanência continua a existir, a morte vem, a perda acontece e então a rendição a ela será obrigatória, mais cedo ou mais tarde. Plutão actua radicalizando levando este poder ao extremo, a resistência à morte ao extremo, mas ao chegar a este extremo toca-se o outro, a própria morte.
Plutão então provoca a transcendência, a pacificação através da rendição. Aí, passa a actuar no segundo estágio, onde percebe-se a ilusão do poder, então Plutão evidencia o podre, o denso, o sujo, aquilo que deve ser purificado.
A partir daí começa um processo doloroso de destruição, aniquilação de tudo o que é inútil e ilusório. Aceita-se a impermanência das coisas, os fins, as mortes e só então acontece uma transmutação, uma regeneração, o renascimento do self, livre das ilusões de controlo e poder do ego.
Quem não conseguir chegar ao extremo da lição que o planeta representa, o considerará maléfico, terrível e destruidor. Mas quem chegar ao outro lado da fronteira compreenderá que todas as experiências, as boas e as mas, são oportunidades de aprendizado e evolução. Compreende-se que a dor faz parte, a morte faz parte e sua aceitação verdadeira torna-as menos horríveis.
O máximo do aprendizado de Plutão pode levar o indivíduo a viver acima das dualidades, acima do prazer e da dor. O indivíduo inteiro já não se identifica com uma coisa ou com outra. Simplesmente as transcende.
Algumas imagens naturais podem ser associadas aos planetas transpessoais.
A imagem do terremoto é uma excelente imagem para Urano. A terra treme, sem aviso, e causa fissuras e destruição nas estruturas velhas e pouco flexíveis.
Neptuno actua como um maremoto que engole a costa e dissolve lentamente suas vegetação no fundo do mar.
Plutão pode ser associado à imagem do vulcão. Montanha serena por fora, mas com magma derretido por dentro, que periodicamente explode soltando gases venenoso e lava, destruindo tudo o que esta em volta. Inicialmente, a rocha arrefecida deixa uma paisagem estéril e desértica em volta do vulcão. Mas esta rocha é rica em nutrientes e pouco tempo depois começa a nascer vegetação exuberante até formar uma floresta quando de novo o vulcão explode, destruindo toda a paisagem e reiniciando o ciclo.
Astrologicamente Plutão no mapa natal indicará a área onde perderemos nossa inocência e através de uma perda, dor, morte ou fracasso nos tornaremos mais sábios, mais inteiros, mais conscientes. Plutão mostra onde tendemos a querer controlar, dominar, impor nosso poder aos outros, agir obsessivamente. Através da perda desta ilusão, a casa onde esta Plutão poderá revelar como transcendemos os limites egóicos, onde e como podemos ser agentes de transformação das nossas vidas e da vida dos outros.
Também pode mostrar onde e como reprimimos, projectamos e integramos a sombra pessoal.
Glifo:
Existem três principais símbolos para Plutão. O símbolo que encontramos nas Efemérides geralmente surge de um P e um L juntos, que tanto representam as iniciais do planeta como a do descobridor, Percival Lowell.
Como a própria interpretação de Plutão tem dois níveis, o segundo símbolo representa o nível inferior de Plutão, ø A meia-lua acima da cruz que esta acima o círculo. Representando o espírito, o inteiro, o pleno (O), aprisionados pela matéria (+) e pela carência, pela falta, pelo desejo de... (meia-lua).
O terceiro Glifo representa o nível superior de Plutão, o círculo acima da meia-lua e acima da cruz, representando o espírito, o pleno (O) livres e acima dos desejos, da alma (meia-lua) e do corpo, da matéria (+).
Associação à Alquimia
Na alquimia, Plutão (ø) simboliza o processo chamado de “Hubris”. Este processo representa o desejo de elevar a um estado divino algo que está num estado humano e impuro. A Hubris alquímica é um poder “endeusificado”, é a maior “tentação” e “pecado” que o alquimista pode cometer. Este processo ocorre quando o solvente universal não conseguiu corroer todas as impurezas da obra, isto é quando Neptuno não dissolveu as barreiras egóicas do alquimista, e no estágio final da obra surgem impurezas do ego representadas pelo desejo de poder e a crença que se é o Todo poderoso ou Deus. A humildade, a purificação, e a noção de universalidade e igualdade que são efeitos do solvente universal (Neptuno) não acontecem e o alquimista cai na tentação ambiciosa do Ego e então toda a obra é destruída violentamente, pondo em risco a própria vida do alquimista.
Mitologia
Na mitologia Plutão é Hades, o deus dos infernos, do mundo invisível subterrâneo. Hades, além de ser o nome do deus é também o nome da região regida por ele. Este reino é sombrio e belo ao mesmo tempo. A própria palavra Hades significa riquezas ocultas.
O Hades é rodeado por dois rios envenenados, Éstige e Aqueronte, e as almas dos mortos atravessam estes rios ajudadas pelo barqueiro Caronte, e vão para uma espécie de Purgatório, para se purificarem, antes do renascimento.
Antes de atravessarem o portão que leva ao desconhecido, é preciso ainda enfrentar Cérbero, o cão guardião de três cabeças, e só então se passa para o outro lado.
O mito que mais revela as funções astrológicas de Plutão é o mito do rapto de Perséfone.
Perséfone é a filha de Deméter, a mãe natureza. Esta jovem belíssima e ingénua está sempre colhendo flores nos campos distantes, e um dia o deus vem à superfície e se apaixona pela bela jovem que é raptada e levada a força para o Reino de Hades. Presa neste mundo invisível, Perséfone resiste o máximo que pode, mas é forçada a se render e é estuprada pelo Deus, perdendo sua inocência junto com sua virgindade. Hades a mantém no inferno por muito tempo, e ela acaba se apaixonando pelo raptor. Sabendo que é proibido comer qualquer coisa neste reino, com a pena de passar a pertencer a ele para sempre, Perséfone come uma romã, e é coroada rainha do Hades, tornando-se sua esposa.
Enquanto isso na superfície, Deméter sua mãe, a procura obsessiva e incessantemente por todos os cantos do mundo. Depois de ter vasculhado tudo sem nada encontrar, Deméter roga desesperada a Zeus que intervenha e diga onde esta sua filha desaparecida. Zeus a ignora, sabendo que não pode nada fazer quanto as regras do reino do irmão Hades. Deméter resolve se vingar, sendo a mãe natureza, pára de produzir e um Inverno rigoroso se instala por muito tempo. Os homens começam a rogar aos deuses, implorando por tempos melhores, começam a passar fome e a morrer, quando Zeus vê que Deméter não vai ceder e a humanidade corre risco de acabar, intervém finalmente, mandando Hermes ir ao inferno mediar as negociações. Devido a chantagem de Deméter, Hades é obrigado por Zeus a deixar a mulher voltar para a mãe, mas não cede, já que Zeus não pode interferir nas regras de seu reino. Toda a ordem e a vida ficam ameaçados até que o sábio Hermes sugere que Perséfone fique meio ano com o marido e meio ano com a mãe, e todos, felizmente, concordam. Quando Perséfone chega a superfície da terra, a mãe fica muito feliz e toda a natureza floresce, dando início a primavera. Nos meses seguintes, o verão também é exuberante e só começa a minguar quando Persefone volta para o marido. A saudade da filha faz com que a mãe natureza se entristeça e se ressinta, e estão tudo começa a morrer até o Inverno. Quando a filha volta, se inicia novamente o ciclo das estações que simboliza o trajecto de morte e renascimento de Perséfone e de toda a natureza.
Este mito revela importantes significados de Plutão.
Primeiramente, analisemos o reino de Hades, o inferno.
Psicologicamente, o inferno invisível representa as profundezas da psique, isto é, o inconsciente. Plutão tem suas raízes no inconsciente colectivo, e actua individualmente de forma também inconsciente revelando impulsos, desejos, acções e comportamentos que não são portanto, controlados pelo ego consciente.
A noção de purgatório, isto é de ir as profundezas para reconhecer o que precisa de purificação também faz parte dos significados de Plutão, assim como se render, morrer e renascer.
Antes do renascimento é preciso enfrentar o guardião do portão, o cão de três cabeças Cérbero. Este cão simboliza a dualidade instinto-racional. É um animal, tem três cabeças e se chama Cérbero (cérebro). Enfrentar o cão representa enfrentar esta dualidade, e se conseguir ultrapassar o portão, então se consegue ultrapassar a dualidade humana, os desejos instintivos e os mecanismos racionais. A necessidade egóica de sobrevivência desaparece, pois incorpora-se a morte como fazendo parte da existência, assim como a vida. Todas as dualidades são unificadas, e o Self se liberta ao incorporar o inconsciente.
O mito de Perséfone também revela muito sobre este arquétipo Plutónico. O Plutão astrológico actua na consciência exactamente como o Hades mitológico. Perséfone representa a consciência ingénua. As vezes, Plutão vem a superfície, rapta aquilo que é ingénuo e actua como uma violação, algo indesejado mas que somos obrigados a nos render. Sentimos a força do planeta seja no mapa natal ou num trânsito como uma inevitável força brutal que nos tira à força da confortável superfície e nos leva para o fundo de nós mesmos, onde ficamos presos e doridos.
A consciência através da dor amadurece e incorporamos a Lei mais importante de Plutão, a lei da Impermanência, que diz que nada permanece igual e tudo muda, e que a dor e a perda fazem parte e são tão essenciais à evolução quanto o prazer e a alegria. Perséfone ao comer a romã aceita seu destino. A romã é uma fruta que simboliza fertilidade, graças as suas muitas sementes, e que quando apodrece brota facilmente de si própria o que também simboliza morte e renascimento. Este simbolismo de começo e fim também esta presente na simbologia das estações da natureza, bem como no infinito ir e vir de Perséfone para dentro da terra e para a superfície, revelando também o movimento de ir para o inconsciente e voltar para o consciente.
Temas como destino, obsessão, paixão, sexualidade, estupro, poder, rendição, violência, desespero, manipulação, chantagem e vingança também aparecem no mito representando temas importantes associados ao Plutão.
Plutão rege Escorpião e a casa VIII.