quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Eros e Thanatus

Eros e Thanatus


Autor: Hernán Vilar S\I\
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As formas são sem forma

A vida é determinada pela escolha dos muitos caminhos que podemos escolher e pela forma que escolhemos para caminhar. No entanto, há de se notar que todos os caminhos nos levam para dentro de nós mesmos. No final de cada caminho encontraremos apenas nossa verdade interior, pois o todo não cabe na parte.

Não discorrerei sobre os caminhos da vida, mas sobre as escolhas dos caminhos.


Das muitas formas que podemos escolher para caminhar, duas denotam o antagonismo polar do hermetismo: o apego à vida e a tudo que dela emerge, suas paixões e vicissitudes, seus altos e baixos. Este é o caminho de Eros.

Eros, segundo a mitologia Grega, foi uma das primeiras divindades, expressão do amor, que surgiu junto com a criação do próprio universo. Ele era a força motriz atrás de toda a procriação da natureza. O amor erótico tem aí suas origens, juntamente com as paixões que dominam a natureza humana menos esclarecida

Todo iniciado, submete sua vontade e esforça-se para vencer suas paixões. Claramente, este não é o caminho do apego à vida, mas sim o caminho da morte e do renascimento.

A divindade que se opunha a Eros era Thanatus, o deus da morte pacífica e indolor. Esta divindade, que era irmão gêmeo de Hypnos, o deus do sono, trazia a morte da mesma forma gentil com que seu irmão trazia o sono aos mortais.

Uma vez que tenhamos visto a morte e prestado nossos mais sinceros e profundos pêsames ao símbolo do culto e da beleza, é chegada a hora de retornar ao sepulcro.


O silêncio contrapõe a inevitabilidade pela qual a natureza humana encontra seu fim, desnorteada na busca de respostas e justificativas que ponham fim ao sofrimento erótico.

EEscolher Thanatus como caminho implica em admitir que é na câmara mortuária de nosso ser que enterraremos o fruto de nosso caminhar, seja ele simbolizado como a violenta traição dos princípios mais sublimes da grandiosa jornada humana na busca de sua divindade, seja ele simbolizado pelo plácido sucumbir da beleza diante da inevitabilidade e da crueldade das paixões.

É no submundo da nossa essência que se inicia o caminho de volta à centelha divina. O caos aparente é sobrepujado pelo anticaos latente. Construtores de si mesmos, são os iniciados a expressão fundamental dos opostos, ora entregues às paixões ora entregues à resignação e à contemplação fúnebre do enterro de sua própria mendicância.

Enterramos em nós mesmos o fruto do nosso caminho e das nossas escolhas e, em última instância, somos os únicos responsáveis pelos louros da nossa virtude e pela desgraça da nossa ignorância.




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