Olá, meus amigos,
Algumas pessoas tem me perguntado porque tenho colocado tantas mensagens especificamente sobre o feminino em um blog que fala sobre relacionamentos.
Eu esclareço, entao, que é porque já não sabemos o que é ser mulher. Em uma sociedade com valores tão masculinos, a mulher não sabe ser mulher, e o homem não sabe o que é uma mulher.
Antes de querer se relacionar com um homem, a mulher precisa primeiro simplesmente ser mulher. Tem até uma "canção" utlizada em Terreiros de Umbanda que diz: "Tem que saber ser mulher...."
Então vamos trabalhar nosso lado feminino, que foi tão reprimido por todos estes anos. Vamos trazer nossa mulher poderosa para a luz. Vamos iluminá-la. Vamos tirar o poder que foi dado ao homem e resgatar o poder feminino.
Vamos ser iguais. Não para competir. E sim para AMAR. Para compartilhar. Para trocar experiências e enrgias.
Espero que gostem dos textos.
Com amor,
Rute Moabita
~MULHERES QUE CORREM COM LOBOS BY MALUZINH@ ~
Introdução Cantando sobre os ossos
A fauna silvestre e a mulher selvagem são espécies em risco de extinção.
Observamos,ao longo dos séculos,a pilhagem,a redução de espaço e o esmagamento da natureza instintiva feminina. Durante longos períodos ela foi mal gerida,à semelhança da fauna silvestre e das florestas virgens. Há alguns milênios,sempre que lhe viramos as costas,ela é relegada às regiões mais pobres da psique.
As terras espirituais da Mulher Selvagem, durante o curso da história,foram
saqueadas ou queimadas,com seus refúgios destruídos e seus ciclos naturais transformados à força em ritmos artificiais para agradar os outros. Não é por acaso que as regiões agrestes e ainda intocadas do nosso planeta desaparecem à medida que fenece a compreensão da nossa própria natureza selvagem mais íntima.
Não é tão difícil compreender porque as velhas florestas e as mulheres velhas não são consideradas reservas de grande importância.Não há tanto mistério nisso. Não é coincidência que os lobos e os coiotes, os ursos e as mulheres rebeldes tenham reputações semelhantes.
Todos eles compartilham arquétipos instintivos que se relacionam entre si, por isso,têm reputação equivocada de serem cruéis,inatamente perigosos,além de vorazes.
A vida e meu trabalho como analista junguiana e cantadora,contadora de histórias,
me ensinaram que a vitalidade esvaída das mulheres pode ser restaurada por meio
de extensas escalações "psíquico-arqueológicas", e,através de sua incorporação ao arquétipo da Mulher Selvagem,conseguimos discernir os recursos da natureza mais
profunda da mulher.
A mulher moderna é um borrão de atividade. Ela sofre pressões no sentido de ser
tudo para todos. A velha sabedoria há muito não se manifesta. O título do livro, Mulheres que correm com os lobos,mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem,
foi inspirado em meus estudos sobre a biologia de animais selvagens, em especial os lobos.
Os estudos de lobos Canis Lupus e Canis rufus são como a história das mulheres, no que diz respeito à sua vivacidade e à sua labuta. Os lobos saudáveis e as mulheres
saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada,espírito
brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção.
Os lobos e as mulheres são gregários por natureza,curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes,seu parceiro e sua matilha. Têm experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e uma extrema coragem.
No entanto as duas espécies foram perseguidas e acossadas,sendo-lhes falsamente atribuído o fato de serem trapaceiros e vorazes, excessivamente agressivos e de terem menor valor que os seus detratores.
Foram alvo daqueles que preferiam arrasar as matas virgens bem como os arredores selvagens da psique,erradicando o que fosse instintivo,sem deixar que dele restasse nenhum sinal.
A atividade predatória contra os lobos e contra as mulheres por parte daqueles que não os compreendem é de uma semelhança surpreendente. Foi por aí que o conceito do arquétipo da mulher Selvagem primeiro se concretizou para mim:no estudo dos lobos.
Estudei também outras criaturas como, por exemplo, os ursos, os elefantes e os pássaros da alma-as borboletas. As características de cada espécie forjassem indicações abundantes do que pode ser conhecido sobre psique instintiva da mulher.
Chamo-a Mulher Selvagem porque essas exatas palavras, mulher e selvagem, criam llamar o tocar a la puerta, a batida dos contos de fadas à porta da psique profunda da mulher.Llamar o tocar a la puerta significa literalmente tocar o instrumento do nome para abrir uma porta.
Significa usar palavras para obter a abertura de uma passagem. Não importa a cultura pela qual a mulher seja influenciada,ela compreende as palavras selvagem e mulher intuitivamente Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente,uma sábia, uma visionária,um oráculo,uma inspiradora, uma instintiva,uma criadora,uma inventora e uma ouvinte que guia,sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos exterior e interior.
Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem , a realidade desse relacionamento transparece nelas. Não importa o que aconteça,essa instrutora, mãe e mentora vagem dá sustentação às suas vidas interior e exterior. Portanto,o termo selvagem neste
contexto não é usado em seu atual sentido pejorativo de algo fora de controle,mas em seu sentido original, de viver uma vide natiral,uma vide em que a criatura tenha uma integridade inata e limites saudáveis.
Essas palavras, mulher e selvagem, fazem com que as mulheres se lembrem de quem são e do que representam. Elas criam uma imagem para descrever a força que sustenta todas as fêmeas. Elas encarnam uma força sem a qual as mulheres não podem viver.
O arquétipo da mulher selvagem pode ser expresso em outros termos igualmente apropriados. Pode-se chamar essa poderosa natureza psicológica de natureza instintiva, mas a Mulher Selvagem é a força que está por trás dela.(...mesmo a mulher presa com a máxima segurança reserva um lugar para o seu self selvagem,,pois ela intuitivamente sabe que um dia haverá uma saída,uma oportunidade,e ela
poderá escapar.).
A mulher selvagem carrega consigo os elementos para a cura;traz tudo o que a mulher precisa ser e saber.Ela carrega histórias e sonhos, palavras e canções,signos e símbolos.
Ela é tanto o veículo quanto o destino. Aproximar-se da natureza instintiva
não significa desestruturar-se,mudar tudo da esquerda para a direita,do preto
para o branco,passar do oeste para o leste,agir como louca ou descontrolada.
Não significa perder as socializações básicas ou tornar-se menos humana.
Significa exatamente o oposto. A natureza selvagem possui uma vasta integridade.
Ela implica delimitar territórios, encontrar nossa matilha,ocupar nosso corpo com segurança e orgulho independente dos dons e das limitações desse corpo, falar e agir em defesa própria.estar consciente, alerta,recorrer aos poderes da intuição e do pressentimento inato às mulheres, adequar-se aos próprios ciclos,descobrir aquilo a que pertencemos, despertar com dignidade e manter o máximo de consciência possível.
E então,o que é a Mulher Selvagem?
Do ponto de vista da psicologia arquetípica,bem como da tradição das contadoras de histórias,ela é a alma feminina. No entanto, ela é mais do que isso. Ela é a origem do feminino. Ela é tudo o que for instintivo,tanto do mundo visível quanto do oculto-ela é a base. Cada um de nós recebe uma célula refulgente que contém todos os instintos e conhecimentos necessários para nossa vida."
(Extraído do belíssimo livro de Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que correm com os lobos. )
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
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