terça-feira, 10 de julho de 2007

A Psicogênese do amor

O amor é de essência divina, porque nasce na excelsa paternidade de Deus.
Na sua expressão mais primária manifesta-se como a força encarregada de unir as partículas, compondo as estruturas minerais, transferindo-se, ao largo dos bilhões de séculos, para as organizações vegetais, nas quais desenvolve o embrionário sistema nervoso na seiva que mantém a vida, através do surgimento da sensibilidade.
Um novo processo, que se desdobra por período multimilenar, trabalha a estrutura vibratória da energia psíquica de que se constitui, facultando-lhe o desdobramento das sensações até o momento em que surge o instinto nas formas animais.
É nessa fase que se irá modelar o futuro da constituição do ego, enquanto o princípio inteligente, embora adormecido, inicie a elaboração da individuação do self.
A fera que lambe o descendente e o guarda, exercita o sentimento de carícia que um dia se transformará em beijos da mãezinha enternecida pelo filho.
A predominância do instinto, na sucessão dos milhões de anos, desenvolverá o sentimento de posse, e este, o do medo da agressão, induzindo comportamento violento em defesa da própria vida.
Ao longo dos milênios, ao alcançar o estado de humanidade, a herança acumulada nos milhões de anos transcorridos no processo de contínuas transformações, desencadeia a preponderância do egocentrismo, de início, seguindo o caminho do egoísmo exacerbado até o momento quando ocorre a mudança de nível de consciência adormecida para a desperta, responsável por aquisições emocionais mais enriquecedoras.
É nessa fase de modificações que tem início o sentimento do amor, confundindo-se ainda com as manifestações do instinto em primitivas formas predatórias contra outras expressões de vida, prevalecendo as sensações que, inevitavelmente, rumam para as emoções dignificantes.
Somente quando alcança um equânime estado de desenvolvimento, é que os sentimentos podem ser educados e exercitados, fornecendo recursos à razão, mediante os equipamentos delicados e próprios para a elaboração da proposta de felicidade.
A conquista da razão, em decorrência dos automatismos inevitáveis da fatalidade antropossociopsicológica, faculta o surgimento da consciência lúcida, que esteve submersa em níveis inferiores, escrava dos impositivos do instintos primários em prevalência.
Nesse período de crescimento de valores éticos e estéticos, o amor desempenha um papel fundamental. pelo fato de constituir-se em estímulo para conquistas mais avançadas em direção ao futuro.
Este é o caminho que todo ser humano percorre.

Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco
CONFLITOS EXISTENCIAIS

Nenhum comentário: