As pessoas querem ou não querem um relacionamento? Querem mesmo, ou só querem dizer que tem um relacionamento???
Estive lendo um texto de Sergio Savian sobre o dia dos solteiros, dia 15 de agosto, em que ele aponta o conflito entre estar sozinho e estar com alguém. Sergio Savian é especialista em relacionamentos, e escreve sobre o assunto.
Já comentei em outro blog sobre a Cultura da Imbecilidade (http:devaneiosdealma.blogspot.com), e questiono aqui novamente algumas posturas gerais que obviamente afetam os relacionamentos. Como por exemplo fazer coisas sem pensar, tolerância zero em vários assuntos, e agora ter data para tudo, o dia disto ou daquilo, e também o dia dos solteiros. O dia da criança, dos pais, das mães, dos namorados - e, tem dia do adulto e do idoso? E do casado? E do separado e do viúvo? Não me lembro. Agora tem dia dos solteiros.
Mas a questão é porque tem aumentado o número de solteiros em todo o mundo, e porque as pessoas tem tanta dificuldade em encontrar um parceiro (a)? Na opinião de Sergio Savian, esta tendência é uma mera escolha pessoal, mas eu iria mais a fundo e diria que estas escolhas pseudo-pessoais são consequência de valores sociais que estão mudando, e morais que já não existem mais, a não ser da boca pra fora.
Muito mais do que uma opção de ser e estar sozinho, eu diria que as pessoas são quase obrigadas a estarem sozinhas, e a escolha não é tão consciente assim. Eu me explico.
Em uma sociedade em que as coisas são mais importantes que as pessoas - o emprego, a casa, o automóvel, e tudo o mais que as pessoas têm, fica difícil pensar e lidar com coisas tão insubstanciais como o amor ou as sensações.
Tanto é assim, que diz-se que o homem ou a mulher apaixonada perde a cabeça. Porque? Porque piram quando estão apaixonadas? Porque não sabem lidar com suas próprias emoções.
É muito mais fácil lidar com coisas do que com sentimentos em nossos dias. E é permitido extravasar as emoções em locais e horários pré-determinados - na academia, nos bares, na bebida, no sexo, mas... e no dia a dia?
No dia a dia não pode. Você está pirando???? Não pensa mais no trabalho? Como você vai tirar um dia de trabalho pra namorar????? Mas tirar todos os dias de namoro pra trabalhar pode. E deve.
E mesmo aqueles que estão com alguém dedicam-se 1 hora ou duas por semana as vezes no máximo para namorar. Me lembro que terminei um relacionamento há uns tempos atrás porque o distinto namorado só podia ficar comigo às 5as feiras das 20 as 22 horas e no sábado a noite. Sem direito de dormir junto nem no sábado, porque ele tinha compromissos no domingo de manhã. Quando não comprometia também o sábado a noite para "preparar" os cursos que dava e outras atividades de trabalho.
Namorar? Quando? Então eu me pergunto àqueles que estão procurando um relacionamento, quanto de tempo e dedicação estão dispostos a oferecer para compartilhar um relacionamento com o outro.
Seguindo a mesma linha do Sergio Savian, você quer mesmo um relacionamento, ou você quer apenas DIZER que tem um? Você quer permitir que uma outra pessoa entre em sua vida, compartilhe seus anseios e desejos mais profundos, dê opinião sobre o que você faz e gosta, e está disposto (a) a abrir mão de algumas delas?
Você separou algum espaço na sua casa, no seu armário, no seu coração, para que uma outra pessoa entre? E se separou, quanto foi em percentual da sua vida? Se sim, se coloque agora no local da outra pessoa e imagine os dois com papel trocado. Se você namorasse com a pessoa que você é hoje, você queria um namorado como você tem se mostrado?
Pense nas 2 horas que separou por semana pra namorar, e imagine se você gostaria de um parceiro (a) com apenas 2 horas disponíveis pra você. Se você gostaria de contar ao seu parceiro onde você foi e com quem, se você está disposto a expor seus medos e anseios, e também a ajudar o seu parceiro (a) em suas dificuldades.
Porque o que eu tenho visto por aí são muitas exigências mas nenhum comprometimento. As pessoas querem que o OUTRO seja isso ou aquilo, faça isso ou aquilo, mas elas mesmas não querem fazer nada. Não querem mudar, não querem perder a própria individualidade e liberdade, não querem abrir mão do seu tempo com as atividades pessoais nem com seu trabalho, não querem ajudar, aliás, não querem nem saber dos seus problemas. Resolva sozinha (o).
O que vejo por aí são pessoas sozinhas que dizem que estão namorando ou casadas. Poucos são os relacionamentos em que as pessoas se importam realmente com quem estão. Que admiram seu parceiro. Que querem e gostam de ficar com eles. Que respeitam. Que compartilham suas vidas e se envolvem realmente. Que amam de verdade.
Uma questão muito importante para mim em um relacionamento é a cumplicidade. Puxa, que saudades. Faz tanto tempo que não consigo ter um relacionamento com cumplicidade e amor. Gosto de dividir meus pensamentos, compartilhar, olhar nos olhos, chorar juntos, viajar. Mas puxa, que difícil é isso nos dias de hoje.
Outra coisa muito importante é a segurança emocional. É saber que posso contar com alguém quando preciso, seja pra trocar um chuveiro, seja pra conversar, seja pra comer um lanche, pra ficar bêbada e saber que meu companheiro vai cuidar de mim e me levar pra casa.
Mas nossa, o que tenho ouvido é "chama a P......." - empresa de seguros que resolve agora problemas na sua casa, como trocar chuveiros, por exemplo; ou, você não tem amigas?????? Aff, mulher que bebe é o ó!!! E pow, fico me perguntando, se para tudo chamamos outras pessoas, pra que ter alguém???? Quer uma fachineira? Chama uma cooperativa, fica mais impessoal. Mas puxa, quero pessoassssssssssssssss.
Perdeu-se a confiança nas menores coisas. A individualidade é cruel. Se chamamos nosso parceiro para resolver coisas triviais em nossa vida, estamos explorando. Já ouvi isso também. Estamos abusando.... afff!
"O que precisamos entender muito bem é de onde vem a ordem de encontrar um par. Para que você precisa de alguém ao seu lado? Para satisfazer a cobrança de sua família ou dos amigos? Ou porque todo mundo deve casar e ter filhos? Ou você quer uma companhia do fundo de sua alma?" - Sergio Savian
Ainda, você quer um namorado ou serviço de sexo grátis? Também já vi isso por ai. Pessoas preferem manter uma mulher (ou homens, o sexo aqui é indiferente) fixa(o) pra não ter que pagar a prostituta(o). E se o seu parceiro (a) mora sozinha(o), melhor, também não terá que pagar o motel. Mas a dedicação e disponibilidade que se dá a esta pessoa fixa é a mesma que daria a uma prostituta(o). Totalmente impessoal, sexo 1 ou 2 vezes por semana em hora marcada, e o restante da semana nem um telefonema. Se você morrer e ficar sem contato, seu namorado(a) só vai perceber 1 semana depois.
Então, antes de chorar que está sozinho (a), fica a pergunta... você quer mesmo um amor???
Rute Moabita
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
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