segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Amor, Sonho e Medo

Amor, Sonho e Medo


Qual de nós conhece o amor? Qual de nós não tem sonhos? Qual de nós não conhece o medo? E, qual de nós consegue viver nossos sonhos de forma plena? E por que não conseguimos viver os nossos sonhos de forma plena?

Não conseguimos viver nossos sonhos, porque existe em nós falta de amor, fato esse que se traduz em baixa-estima. Não falo aqui de amor vindo do exterior, ou de uma outra pessoa. Falo de amor de nós por nós mesmos. Mas muitos dirão: que absurdo... eu me amo.

Saiba que no dia em que conseguirmos nos amar mesmo, todos os nossos medos se evaporam. Sumirão como num passe de mágica, pois o amor é a energia que nos impulsiona, é justamente a energia oposta a do medo.

O amor é a energia de expansão, enquanto contração é a energia do medo. O amor trata da expansão e nossas vidas precisam expandir para que sintamos amor em nossos corações.

E o medo? O que significa? O medo representa a fé que temos na destruição. Embora saibamos que não exista destruição! Pois no fundo do nosso mais profundo inconsciente, sabemos que somos seres imortais. Somos Deuses caminhando sobre esse plano, temporariamente dentro de invólucros densos. Somos filhos de Deus perfeitos, aqui trabalhando para auxiliar na ascensão da vida desse planeta que gentilmente nos abriga e, de todas as formas de vida que o habitam.

O amor tem uma forma muito especial de trazer poder e alegria às nossas vidas e, sem poder não pode haver alegria verdadeira. E, a forma mais própria que temos de exercermos o nosso poder, é vivendo os nossos próprios sonhos.

Cada um de nós tem ao menos um sonho. Os nossos sonhos seriam realidade, não fosse o medo que os mantém na condição de sonhos. No fundo não nos sentimos é merecedores de sermos felizes. Isso não é racional, ao contrário, vem do nosso mais profundo inconsciente. Nos julgamos, por atitudes que tomamos num tempo distante, nos sentimos culpados de muitas coisas e só poderemos de fato nos livrar dessas energias, compreendendo que não existem erros, pois tudo nesse plano não passa de aprendizado. Devemos então, nos aproximar da Luz. Por mais incrível que possa parecer, o que mais nos amedronta é a Luz. Não tememos a escuridão e sim a Luz, porque a luz nos torna transparentes.

Entendamos que quanto mais medo rodear o nosso sonho, mais poderoso chega a ser esse medo, impossibilitando que se passe à ação e, que logo se manifeste o que ele representa, não importando se é um sonho material, para trazer riqueza material, para atrair coisas abstratas, tais como o amor na nossa vida, ou para a criação de belas relações, gerando amor. Isto, ainda que continue a ser um sonho e haja medos com respeito ao mesmo. Até que esses medos tenham sido superados, esse sonho sempre continuará a ser um sonho.

O amor tem uma maneira muito graciosa de rodear o medo, embora o medo possa estar sempre presente, o amor o circundará, até que ele torne-se tão diminuto, quase invisível. Mas estará sempre ali, sendo parte integrante do ser humano. É algo muito parecido ao símbolo Chinês do equilíbrio, o Yin e o Yang, onde se vê um pequeno ponto branco na escuridão e um pequeno ponto negro na claridade.

Dentro de cada um de nós encontra-se uma mente mágica, embora temporariamente encoberta por um véu, véu esse que nos distancia da verdade de quem verdadeiramente somos. Quando você olhar a noite para o céu e ver a lua e as estrelas, lembre que você é parte disso tudo, que você e todos os planetas que conseguir avistar e os outros que estiverem distantes de sua visão, você e os universos, são uma só coisa. Luz!

Luz em sua vida!

Palermo

texto recebido por e-mail

Deusa Ísis

Meus queridos,

Para que possamos vivenciar o Amor em toda a sua plenitude, cabe trabalhar a Deusa e o Deus Interno, que assim manifestado, nos permite a troca com o (a) companheiro (a), ou consorte.

Existem muitas formas de realizar este trabalho, terapias individuais ou em grupo, e cada escolhe aquela forma que mais se adapta 'a sua natureza.

Coloco aqui um texto sobre a Deusa Ísis, considerada a maior divindade feminina egípcia, para que possamos nos espelhar.

Beijos de Luz,

Rute Moabita



DEUSA ÍSIS

Eu concebi
carreguei
e dei à luz a toda vida
Depois de dar-lhe todo meu amor
Dei-lhe também meu amado Osíris
Senhor da vegetação
Deus dos cereais
para ser ceifado
e nascer outra vez
Cuidei de você na doença
fiz suas roupas
observei seus primeiros passos
Estive com você até mesmo no final
segurando sua mão
para guiá-lo para a imortalidade
Você para mim é TUDO
E eu lhe dei TUDO
E para você eu fui TUDO
Eu sou sua Grande-Mãe, ÍSIS



Nossa amada Deusa Ísis foi cultuada e adorada em inúmeros lugares, no Egito, no Império Romano, na Grécia e na Alemanha. Quando seu amado Osíris foi assassinado e desmembrado pelo seu irmão Seth que espalhou seus pedaçospor todo o Egito, Ísis procurou-os e os juntou novamente. Ela achou todos eles, menos seu órgãos sexual, que substitui por um membro de ouro. Através de magia e das artes de cura, Osíris volta à vida. Em seguida, ela concebe seu filho solar Hórus.

Os egípcios ainda mantêm um festival conhecido como a Noite da Lágrima. Tal festival tem sido preservado pelos árabes como o festival junino de Lelat-al-Nuktah.

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ÍSIS, DO MITO À HISTÓRIA

No começo só existia o grande, imóvel e infinito mar universal, sem vida e em absoluto silêncio. Não havia nem alturas, nem abismos, nem princípio, nem fim, nem leste, nem oeste, nem norte e nem sul. Das primeiras sombras se desprenderam as trevas e apareceu o caos. Desse ilimitado e sombrio universo surgiu a vida e, com ela, a estirpe dos Deuses.

Conta a mitologia solar que o criador de tudo foi Atum, o Pai dos Pais. A partir do momento que Atum toma consciência de si mesmo, ele tornou-se Rá.
Em sua infinita sabedoria, o Deus consciente, desejou e materializou uma separação entre si mesmo e as águas primordiais, desejando emergir a primeira terra seca em forma de colina a que os egípcios chamaram a "colina benben".

Então Atum criou os outros Deuses. Recolheu seu próprio sêmen na mão, e engolindo-o se fecundou a si mesmo. Vomitou, dando vida a Shu e Tefnut, o ar seco e o ar úmido.

Shu e Tefnut se unem e dão a luz ao Deus Geb, a terra, e a Deusa Nut, o céu, que, por sua vez, quando se uniram fisicamente tiveram quatro filhos: Osíris (Deus da Ordem), Seth (Deus da Desordem) e suas irmãs Ísis e Neftis, nascidos nessa ordem. A nova geração completa o número de nove divindades, a Enéada, que começa com o Deus criador primordial. Na escrita egípcia o três era utilizado para representar o número plural, enquanto que o nove proporciona um meio simbólico de indicar o "todo". A Enéada do Deus Sol é conhecida entre os egiptólogos como a Enéada Heliopolitana.

Osíris, o primogênito, havia herdado de seu pai Geb a terra para governá-la. Já a Deusa Ísis, cujo nome significa "o trono", "a sede" (capital), se uniu a seu irmão Osíris, para sustentar todo o seu poder, estabelecendo-se assim, o primeiro casal real do Egito. Se ele era o rei, soberano da terra, ela ia ser seu trono, a sede eternamente estável, de onde era exercida toda a realeza sobre o Egito.

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ÍSIS E O NOME SECRETO DE RÁ

O Deus Sol Rá tinha tantos nomes que inclusive os Deuses não conheciam todos. Um dia, a Deusa Ísis, Senhora da Magia, se pôs a aprender o nome de todas as coisas, para tornar-se tão importante como o Deus Rá.

Depois de muitos anos, o único nome que Ísis não sabia era o nome secreto de Rá, assim decidiu enganá-lo para descobrir.

A cada dia, enquanto voava pelo céu, Rá envelhecia e até já começava a babar. Ísis recolheu sua baba e modelando-a com terra, deu forma a uma serpente, que depois colocou no caminho de Rá. Esse foi mordido e caiu ao solo agonizante. Ísis disse ao Deus que poderia curá-lo, desde que ele lhe revelasse seu nome secreto. Ele se negou, porém ao notar que o veneno da cobra era potente suficientemente para matá-lo, não teve outra opção a não ser revelá-lo. Com esse conhecimento secreto, Ísis pode apropriar-se de parte do poder de Rá.


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ÍSIS E OSÍRIS (segundo Plutarco)



No Egito, assim como na Babilônia, o culto da lua precedeu o do sol. Osíris, Deus da lua, e Ísis, a Deusa da lua, irmã e esposa de Osíris, a mãe de Hórus, o jovem Deus da lua, aparecem nos textos religiosos antes da quinta dinastia (cerca de 3.000 a. C.).
É difícil fazer um estudo conciso sobre o significado do culto de Ísis e Osíris, pois, durante muitos séculos nos quais esta religião floresceu, aconteceram mudanças na compreensão dos homens em relação a ele.

Nos primeiros registros, Osíris, parece ser um espírito da natureza, concebido como o Nilo ou como a lua, o qual, pensava-se, controlava as enchentes periódicas do rio. Era o Deus da umidade, da fertilidade e da agricultura. Durante o período da lua minguante, Seth, seu irmão e inimigo, um demônio de um vermelho fulvo incandescente, devorava-o. Dizia-se que Seth tinha se unido a uma rainha etíope negra para ajudá-lo na sua revolta contra Osíris, provavelmente uma alusão à seca e ao calor, que periodicamente vinham do Sudão, assolavam e destruíam as colheitas da região do Nilo.

Seth era o Senhor do Submundo, no sentido de Tártaro e não de Hades, usando-se termos gregos. Hades era o lugar onde as sombras dos mortos aguardavam a ressureição, correspondendo, talvez, à idéia católica do purgatório. Osíris era o Deus do Submundo neste sentido, Tártaro é o inferno dos condenados, e era deste mundo que Seth era o Senhor.

Nas primeiras formas do mito, Osíris era a lua e Ísis a natureza, Urikitu, a Verde da história caldéia. Mas, posteriormente, ela tornou-se a lua-irmã, mãe e esposa do Deus da lua. É neste ciclo que este mito primitivo da natureza começou a tomar um significado religioso mais profundo. Os homens começaram a ver na história de Osíris, que morreu e foi para o submundo, sendo depois restituído à vida pelo poder de Ísis, uma parábola da vida interior do homem que iria transcender a vida do corpo na terra.

Os egípcios eram um povo de mente muito concreta, e concebiam que a imortalidade poderia ser atingida através do poder de Osíris de maneira completamente materialista. Era por essa razão que conservavam os corpos daqueles que tinham sido levados para Osíris, através da iniciação, como conta o "Livro dos Mortos"; com efeito, acreditavam que, enquanto o corpo físico persistisse, a alma, ou Ka, também teria um corpo no qual poderia viver na Terra-dos-bem-aventurados, como Osíris que, no texto de uma pirâmide da quinta dinastia, é chamado de "Chefe daqueles que estão no Oeste", isto é, no outro mundo.

Ísis e Osíris eram irmãos gêmeos, que mantinham relações sexuais ainda no ventre da mãe e desta união nasceu o Hórus-mais-velho. No Egito, nesta época, era hábito entre os faraós e as divindades a celebração de núpcias entre irmãos, para não contaminar o sangue.

A história continua contando que quando Osíris tornou-se rei, livrou os egípcios de uma existência muito primitiva. Ensinou-lhes a agricultura e a feitura do vinho, formulou leis e instruiu como honrar seus deuses. Depois partiu para uma viagem por todo o país, educando o povo e encantando-o com sua persuasão e razão, com a música, e "toda a arte que as mesas oferecem".

Enquanto ele estava longe sua esposa Ísis governou, e tudo correu bem, mas tão logo ele retornou, Seth, que simbolizava o calor do deserto e da luxúria desenfreada, forjou um plano para apanhar Osíris e afastá-lo. Confeccionou um barril do tamanho de Osíris. Então convidou todos os Deuses para uma grande festa, tendo escondido seus setenta e dois seguidores por perto. Durante a festividade, mostrou seu barril que foi admirado por todos. Prometeu dá-lo de presente àquele que coubesse nele. Então todos entraram nele por sua vez, mas ele se ajustou somente a Osíris. Neste momento, os homens escondidos apareceram e, rapidamente lacraram a tampa do barril. Levaram-o e jogaram no rio Nilo. Ele boiou para longe e alcançou o mar pela "passagem que é conhecida por um nome abominável".

Este evento ocorreu no décimo sétimo dia de Hator, isto é, novembro, no décimo oitavo ano de reinado de Osíris. Ele viveu e reinou por um ciclo de vinte e oito períodos ou dias, porque ele era a lua, cujo ciclo completa-se a cada vinte e oito dias.

Quando Ísis foi sabedora dos acontecimentos fatídicos, cortou uma mecha de seu cabelo e vestiu roupas de luto e vagou por todos os lugares, chorando e procurando pelo barril. Foi seu cachorro Anúbis, que era filho de Néftis e Osíris, que levou-a até o lugar onde o caixão tinha parado na praia, no país de Biblos. Ele havia ficado perto de uma moita de urzes, que cresceram tanto com sua presença, que tornou-se uma árvore que envolveu o barril. O rei daquele país mandou cortar a tal árvore e de seu tronco fez uma viga para a cumeeira de seu palácio, sem sequer imaginar que o mesmo continha o barril.

Ísis para reaver seu marido, fez amizade com as damas de companhia da rainha daquele país e acabou como enfermeira do príncipe. Ísis criou o menino dando-lhe o dedo ao invés de seu peito para mamar.

Os nomes do rei e da rainha são: Malec e Astarte, ou Istar. Bem sugestivo, pois nos faz ver que Ísis teve que recuperar o corpo de Osíris de sua predecessora da Arábia.

Acabou tendo que revelar-se para a rainha e implorou pelo tronco da árvore que continha o corpo de Osíris. Ísis retirou o barril da árvore e levou-o consigo em sua barcaça de volta para casa. Ao chegar, escondeu o caixão e foi procurar seu filho Hórus, para ajudá-la a trazer Osíris de volta à vida.

Seth que havia saído para caçar com seus cachorros, encontra o barril. Abriu-o e cortou o corpo de Osíris em catorze pedaços espalhando-os. Aqui temos a fragmentação, os catorze pedaços que óbviamente referem-se aos catorze dias da lua.

Ísis soube do ocorrido e saiu à procura das partes do corpo. Viajou para longe em sua barcaça e onde quer que acahasse uma das partes fazia um santuário naquele lugar. Conseguiu reunir treze das peças unindo-as por mágica, mas faltava o falo. Então fez uma imagem desta parte e "consagrou o falo, em honra do qual os egípcios ainda hoje conservam uma festa chamada de "Faloforia", que significa "carregar o falo".
Ísis concebeu por meio dessa imagem e gerou uma criança, o Hórus-mais-jovem.

Osíris sugiu do submundo e apareceu para o Hórus-mais-velho. Treinou-o então para vingar-se de Seth. A luta foi longa, mas finalmente Hórus trouxe Seth amarrado para sua mãe.
Este é o resumo do mito.

Os cerimoniais do Egito eram relacionados com esses acontecimentos. A morte de Osíris, interpretada todos os anos, bem como as perambulações de Ísis e suas lamentações, tinham um papel conspícuo. O mistério final de sua ressureição e a demonstração pública, em procissão, do emblema de seu poder, a imagem do falo, completavam o ritual. Era uma religião na qual a participação emocional da tristeza e alegria de Ísis tinha lugar proeminente. Posteriormente, tornou-se de fato uma das religiões nas quais a redenção era atingida através do êxtase emocional pelo qual o adorador sentia-se um com Deus.

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ARQUÉTIPO DA PROVEDORA DA VIDA




É pelo poder de Ísis, através de seu amor, que o homem afogado na luxúria e na paixão, eleva-se a uma vida espiritual. Ísis, antes de tudo, é provedora da vida. Comumente é representada amamentando seu filho Hórus, pois ela é a mãe que nutri e alimenta tudo que gera. Ísis com seu bebê no colo, acabou transformada na Virgem Maria com o menino Jesus.

Embora Isis fosse considerada como mãe universal ela era venerada como protetora das mulheres em particular. Sendo aquela que dá a vida, que presidia sobre vida e morte, ela era protetora das mulheres durante o parto e confortava aquelas que perdiam seus entes queridos. Em Ísis, as mulheres encontravam o apoio e a inspiração para prosseguirem com suas vidas. Ísis proclamava ser, em hinos antigos, a deusa das mulheres e dotava suas seguidoras de poderes iguais aos do homem.

Esta Deusa é também freqüentemente representada como uma Deusa negra. Este fato está diretamente associado ao período de luto de Ísis (morte de Osíris), quando ela vestia-se de preto ou ela própria era preta.
As estátuas pretas de Ísis tinham também um outro sentido. Plutarco declara que "suas estátuas com chifres são representações da Lua Crescente, enquanto que as estátuas com roupa preta significavam as ocultações e as obscuridades nas quais ela segue o Sol (Osíris), almejando por ele. Conseqüentemente, invocam a Lua para casos de amor e Eudoxo diz que Ísis é quem os decide".

No Solstício de Inverno, a Deusa, na forma de vaca dourada, coberta por um traje negro, era carregada sete vezes em torno do Santuário de Osíris morto, representando as perambulações de Ísis, que viajou através do mundo pranteando sua morte e procurando pelas partes espalhadas de seu corpo. Este ritual, era um procedimento mágico, que tencionava prevenir que a seca invadisse as regiões férteis do Nilo, pois a ressurreição de Osíris era, naquela época, um símbolo da enchente anual do Nilo, da qual a fertilidade da terra dependia.

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ÍSIS E HÓRUS

Muita conhecida de todos os nós é a história de Hórus, o filho de Ísis, a Deusa do Egito, tanto quanto os também tão estimados e conhecidos Maria e o menino Jesus no cristianismo. Entretanto, existem algumas diferenças entre os dois: a Ísis é adorada como uma divindade maternal muito antiga. Algumas vezes é representada com um disco do sol (ou lua) na cabeça, flanqueada à direita e à esquerda por dois chifres de vaca. A vaca era e é por seu úbere dispensador de leite o animal-mãe, usado em muitas culturas como símbolo materno. Outra diferença fundamental entre Ísis e Maria é também o fato de Ísis ter sido venerada como a grande amada. Ainda no ventre materno ela se casou com seu irmão gêmeo Osíris, que ela amava acima de tudo.

Nos rituais antigos egípcios, executados para obter a ressurreição, o olho de Hórus tinha papel muito importante e era usado para animar o corpo do morto cujos membros tinham sido reunidos. Hórus, filho e herdeiro por excelência, é invocado também, para que impeça a ação do réptéis que estão no céu, na terra e na água, os leões do deserto, os crocodilos do rio.

Protetor da realeza, Hórus desempenha ainda, o papel capital do Deus da cura. A magia de Hórus desvia as flechas do arco, apazigua a cólera do coração do ser angustiado.

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ARQUÉTIPO DE CURA



Ísis era invocada nas antigas escrituras como a senhora da cura, restauradora da vida e fonte de ervas curativas. ela era venerada como a senhora das palavras de poder, cujos encantamentos faziam desaparecer as doenças.

À noção de magia liga-se também, imediatamente ao nome de Ísis, que conhece o nome secreto do Deus supremo. Ísis dipõe do poder mágico que Geb, o Deus da Terra, lhe ofereceu para poder proteger o filho Hórus. Ela pode fechar a boca de cada serpente, afastar do filho qualquer leão do deserto, todos os crocodilos do rio, qualquer réptil que morda. Ela pode desviar o efeito do veneno, pode fazer recuar o seu fogo destruidor por meio da palavra, fornecer ar a quem dele necessite. Os humores malignos que perturbam o corpo humano obedecem a Ísis. Qualquer pessoa picada, mordida, agredida, apela a ísis, a da boca hábil, identificiando-se com Hórus, que chama a mãe em seu socorro. Ela virá, fará gestos mágicos, mostrar-se-á tranqüilizadora ao cuidar do filho. Nada de grave irá lesar o filho da grande Deusa.

Ísis aparece em na nossa vida para dizer que é hora de meditar. Você tem desperdiçado sua energia maternal sem guardar um pouco para si mesma? Sua mãe lhe deu todo o amor que você precisou? Pois agora é tempo de você se dar "um colo" para curar as mágoas do passado. Todos nós precisamos de cuidados maternos, independente de sermos donzela, mãe ou mulher madura.

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ARQUÉTIPO DA MÃE-NATUREZA


Ísis, Deusa da lua, também é Mãe da Natureza. Ela nos diz que para este mundo continuar a existir tudo que é criado um dia precisa ser destruído. Ísis determina que não deve haver harmonia perpétua, com o bem sempre no ascendente. Ao contrário, deseja que sempre exista o conflito entre os poderes do crescimento e da destruição. O processa da vida, caminha sobre estes opostos. O que chamamos de "processo da vida", não é idêntico ao bem-estar da forma na qual a vida está neste momento manifesta, mas pertence ao reino espiritual no qual se baseia a manifestação material.

Com certeza, se a morte e a decadência não tivessem dotados de poderes tão grandes quanto as forças da criação, nosso mundo inteiro já teria alcançado o estado de estagnação. Se tudo permanecesse para sempre como foi primeiramente feito, todas as capacidades de "fazer" teriam sido esgotadas há séculos. A vida hoje estaria hoje totalmente paralisada. E, assim, inesperadamente, o excesso de bem, acabaria em seu oposto e tornar-se-ia excesso de mal.

Ísis, tanto na forma da natureza, como na forma de Lua, tinha dois aspectos. Era criadora, mãe, enfermeira de todos e também destruidora.

O nome Ísis, significa "Antiga" e era também chamada de "Maat", a sabedoria antiga. Isto corresponde a sabedoria das coisas como são e como foram, a capacidade inata inerente, de seguir a natureza das coisas, tanto na forma presente como em seu desenvolvimento inevitável, uma relação à outra.

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O VÉU DE ÍSIS




O traje de Ísis só era obtido através da iniciação, era multicolorido e usado em muitos cerimoniais religiosos.

O véu multicolorido de Ísis é o mesmo véu de Maias, que nos é familiar no pensamento hindu. Ele representa a forma sempre mutante da natureza, cuja beleza e tragédia ocultam o espírito aos nosso olhos. A idéia é a de que o Espírito Criativo vestia-se de formas materiais de grande divindade e que todo o universo que conhecemos era feito daquela maneira, como a manifestação do Espírito do Criador.
Plutarco expressa essa idéia quando diz:"Pois Ísis é o princípio feminino da natureza e aquela que é capaz de receber a inteireza da gênese; em virtude disso ela tem sido chamada de enfermeira e a que tudo recebe por Platão e, pelo multidão, a dos dez mil nomes, por ser transformada pela Razão e receber todas as formas e idéias".
Um hino dirigido a Ísis-Net exprime essa mesma idéia de véu da natureza que esconde a verdade do mistério dos olhos humanos. Net era uma forma de Ísis, e era considerada como Mãe-de-todos, sendo de natureza tanto masculina como feminina. O texto em que esse hino está registrado data de cerca de 550 a.C., mas é provavelmente muito mais antigo.
Salve, grande mãe, não foi descoberto teu nascimento!
Salve, grande deusa, dentro do submundo que é duplamente escondido, tu, a desconhecida!
Salve, grande divina, não foste aberta!
Ó, abre teu traje.
Salve, coberta, nada nos é dado como acesso a ela.
Venha receber a alma de Osíris, protege-adentro de tuas duas mãos.

O véu de Ísis, tem também significados derivados. Se diz que o ser vivo é pego na teia ou véu de Ísis, significando que no nascimento o espírito, a centelha divina, que está em todos nós, é preso ou incorporado na carne. Significa dizer, que todos nós ficamos emaranhados ou presos na teia da natureza. Essa teia é a trama do destino ou circunstâncias. É inevitável que devamos ser presos pelo destino, mas freqüentemente consideramos este enredamento como infortúnio e queremos nos libertar dele. Se aceitarmos esta situação de o ser vivo estar preso a teia de Ísis, acabaremos encarando a trama de nossa vida de maneira diferente, pois é somente deste modo que o espírito divino pode ser resgatado. Se não fosse aprisionado desta forma, vagaria livremente e nunca teria oportunidade de transformar-se. Portanto, o espírito do homem precisa estar preso à rede de Ísis, caso contrário, não poderá ser levado em seu barco para a próxima fase de experiência.

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DANÇA SAGRADA DOS SETE VÉUS


"Vê-la dançar é participar da força criadora que vibra no Cosmos; massa negra e pulsante explícita nos olhos e cabelos de Jhade. (...) Mãos se elevam em serpente e cortantes transformam em som o poder telúrico de seu ventre. Que os sons, manifestos em seu corpo, subam de encontro com o Eterno e sejam ouvidos além do tempo." (por W. Hassan)

A Dança dos Sete Véus tem sua origem em tempos remotos, onde as sacerdotisas dançavam no templo de Isis. É uma dança forte, bela e enigmática. Ela também reverencia à vida, os elementos da natureza, imita os passos dos animais e das divindades numa total integração com o universo. O coração da bailarina é tão leve quanto a pluma da Deusa Maat e é exatamente por isso que os véus são necessários, pois é deles que os deuses se servem para sutilizar o corpo da mulher. Os véus de Ísis, ao serem retirados, nos transmitem ensinamentos. Quando a bailarina usa dois véus, ao retirá-los nos diz que o corpo e espírito devem estar harmonizados. A Dança do Templo, que é usado três véus, homenageia a Trindade dos deuses do Antigo Egito: Ísis, Osíris e Hórus. A Dança do Palácio, com quatro véus, representa a busca da segurança e estabilidade e ao retirá-los a bailarina nos demonstra o quanto nos é benéfico o desapego das coisas materiais. Na Dança dos Sete Véus, cada véu corresponde a um grau de iniciação.

Os sete véus representam os sete chakras em equilíbrio e harmonia, sete cores e sete planetas.Cada planeta possui qualidades e defeitos que influenciam no temperamento das pessoas e a retirada de cada véu representa a dissolução dos aspectos mais nefastos e a exaltação de suas qualidades.
Significado das cores:


Vermelho: libertação das paixões e vitória do amor
Laranja: libertação da raiva e dos sentimentos de ira
Amarelo: libertação da ambição e do materialismo
Verde: saúde e equilíbrio do corpo físico
Azul : encontro da serenidade
Lilás: transmutação da alma, libertação da negatividade
Branco: pureza, encontro da Luz.

Toda mulher deixa transbordar seu essência através da dança. Todas aquelas emoções reprimidas, sentimentos esquecidos, afloram. Toda e qualquer mulher que consegue penetrar nos mistérios e ensinamentos dessa prática, se revelará de forma pura e sublime e alcançará o êxtase ao dançar.

Dançar é minha prece mais pura
Momento em que meu corpo vislumbra o divino,
Em que meus pés tocam o real
Religiosidade despida de exageros,
Desejo lascivo, bordado de plenitude
Através de meus movimentos posso chegar ao inatingível
Posso sentir por todos os corpos,
abraçar com todo
o coração,
E amar com os olhos
Cada gesto significativo desenha no espaço o infinito,
Pairando no ar, compreensão e admiração
Iniciar uma prece é como abrir uma porta
Um convite a você, para entrar em meu universo
O mágico contorna minha silhueta, ao mesmo tempo
Que lhe toco sem tocar
Nada a observar, só a participar
Esta prece ausente de palavras
É codificada pela alma
E faz-nos interagir, de maneira sublime e hipnótica
Quando eu terminar esta dança,
Estarei certa de que não seremos os mesmos.

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RITUAL DE ÍSIS PARA A LEALDADE

Você pode usar esse ritual para pedir à Ísis que reforce sua lealdade se se sentir tentada (o) a trair a confiança de alguém, ou para pedir que outra pessoa lhe seja leal.

Deve sempre ser realizado pela manhã e se possível imediatamente ao levantar-se da cama. Necessitará de uma granada, a pedra preciosa que simboliza a lealdade. A pedra pode estar solta ou presa em alguma jóia.

Acenda uma vela branca e coloque à sua frente. Suspenda a vela em frente a vela, de maneira que brilhe à luz da chama. Enquanto observa a luz brilhando através da granada, pense em tudo que necessitas fortalecer no sentido da lealdade.

Imagine você, ou a pessoa que a(o) preocupa, em uma situação que possa trair a confiança. Pense que você, ou essa pessoa, resistem ao impulso. Por exemplo, pode visualizar uma situação em que um amigo pede para revelar um segredo, porém você resiste, dizendo:
"Não, não posso lhe dizer".
Agora coloque a granada em seu bolso e use-a como jóia até que sinta que a ameaça da deslealdade tenha passado.



TEXTO PESQUISADO E DESENVOLVIDO POR

ROSANE VOLPATTO

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A Mulher Thelêmica

Queridos,

Já coloquei textos sobre as atrocidades da Igreja Católica contra as mulheres e os "ditos pecados" no meu blog sobre magia: Perséfone no Reino de Hades (http://persefonenoreinodehades.blogspot.com/).

Ouso afirmar que estes conceitos e pré-conceitos estão ainda muito arraigados em nossos inconscientes em pleno sec XXI, na atitude das pessoas por todos os lados. Apesar de todas as conquistas feitas pelas mulheres nestes últimos tempos, ainda falta muito para que elas sejam realmente consideradas iguais aos homens, em nossa sociedade, pelos homens e por elas mesmas.

Me surpreendo observando atitudes das mulheres mesmas totalmente retrógradas e machistas, tão presas ainda aos conceitos inventados pela igreja católica para fazer com que a nossa sociedade fosse dominada pelos homens.

Ainda levaremos muitos anos fazendo terapias para retomar nosso lugar AO LADO de nossos homens, e eles também levarão muitos anos fazendo terapia para admitir que isso é realmente POSSÌVEL e DESEJÁVEL.

É claro que estes conceitos afetam nossos relacionamentos amorosos, e por isso os relacionamentos estão tão malucos. As mulheres não sabem ser mulheres, dado que foram por 2000 anos reprimidas, e os homens não sabem ser homens, já que tiveram uma "bonequinha casta e pura" por todo este tempo, e não sabem lidar com uma mulher forte, poderosa e sexual.

Este texto que coloco aqui foi escrito no início do séc. XX, por um grande mago chamado Aleister Crowley, que abriu a boca sobre tudo isto, revelou textos iniciáticos, enfrentou políticos e poderosos de sua época, foi expulso de vários países em que viveu, escreveu vários livros, construiu um lindo Baralho de Tarô, e por isso é tanto aclamado quanto escarnecido por suas palavras e atitudes.

Note que o texto foi escrito há quase 100 anos, muito antes da emancipação da mulher em nossa era, e vejam voc~es se ele se parece ultrapassado... reflitam sobre a sua própria atitude perante as mulheres, sendo homem ou mulher você mesmo.

Espero que gostem,

Beijos de Luz,

Rute Moabita


A Mulher em Thelema segundo Liber Al Vel Legis III,55

Autor: Aleister Crowley (To Mega Therion)
Tradução: Marcelo Ramos Motta (Fr. Parzival XIº)



55. Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por sua causa, que todas as mulheres castas sejam desprezadas ao máximo entre vós!

O Nome Maria está relacionado com Mars, Mors, etc., do Sânscrito MR, matar, e com Mare, cuja água opõe o Fogo de Hórus.
Liber 418 explica isto sucintamente: 3° Æthyr.

Além disto, há Maria, uma blasfêmia contra BABALON, pois ela se fechou; e portanto é ela a Rainha de todos esses demônios malvados que caminham sobre a terra, esses que tu vistes mesmo como manchinhas
pretas que manchavam o céu de Urânia. E todos esses são o excremento de Choronzon.

Maria inviolada tem que ser despedaçada sobre rodas, porque despedaçá-la é o único tratamento que ela merece; e RV, uma Roda, é o nome do princípio feminino (veja Liber D.) Serão as mulheres mesmas que destruirão esse egrégora; desde que foi o próprio falso senso de culpa dos homens, o egoísmo deles, e a covardia deles, que originalmente forçaram a mulher a blasfemar si mesma, e assim degradaram a próprios olhos dela, e nos deles.

Porque os homens insistem em "inocência" nas mulheres?

1 - Para lisonjear sua vaidade doentia; uma mulher capaz de compará-los com outros amantes passados ou presente os amedronta.

2 - (a) Para escaparem de doenças venéreas . (b) Para se assegurarem, na medida do possível, que a cria da mulher vai propagar suas "nobres" pessoas.

3 - Para manter poder sobre suas escravas graças a ignorância delas.

4 - Para mantê-las dóceis no lar quanto mais tempo puderem, prolongando a corrupção da sua inocência. Uma mulher sexualmente satisfeita, porém, é o melhor auxiliar que um homem pode pedir; enquanto uma mulher desapontada ou insatisfeita é um eczema psíquico.

5 - Em comunidades primitivas, para se assegurarem contra surpresa ou traição por parte de inimigos.

6 - Para disfarçarem a sua própria vergonha no assunto do sexo; vergonha que é fruto do complexo de Édipo e da má educação religiosa.

Nós de Thelema dizemos que Todo homem e toda mulher é uma estrela.
Não nos enganamos ou lisonjeamos as mulheres; não as desprezamos nem as abusamos. Para nós uma mulher é Ela mesma, absoluta, original, independente, livre, auto-justificada, exatamente como um homem é.

Não queremos a mulher como escrava; nós a queremos livre e régia, que o amor dela lute contra a morte em nossos braços à noite, que a sua liberdade cavalgue lado a lado conosco, de dia... na carga da batalha
da vida.

Que a mulher seja cingida com espada diante de mim!

Nela é todo poder dado.

Assim diz este nosso Livro da Lei. Nós respeitamos a mulher tal qual ela é, com sua própria natureza; Não nos arrogamos o direito de criticá-la. Nós lhe damos boas vindas como nossa aliada, vindo a nosso Acampamento para fazer sua Vontade, livre e brilhante, revirando sua espada. Bem-vinda sejas mulher! Nós te saudamos.
Estrela gritando a estrela! Bem-vinda à fuga e à festa! Bem-vinda à luta e à Orgia! Bem-vinda à vigília e a vitória! Bem-vinda à guerra e suas feridas! Bem-vinda à casa e à cama! Bem-vinda à trombeta e ao triunfo! Bem-vinda à marcha fúnebre e à morte!

Somos nós de Thelema que realmente amamos e respeitamos a Mulher, que a consideramos sem pecado e sem vergonha tais quais nós somos; e aqueles que dizem que as desprezamos são aqueles que se encolhem diante do fulgor de nossas lâminas, quando cortamos dos seus membros as imundas cadeias com que eles as ataram.

Nós chamamos a mulher de Puta? Sim, em Verdade e amem, ela é isso: o ar treme e queima quando nós o gritamos, exultantes e árduos.

Ó vós hipócritas! Não foi este o vosso sorrisinho de esguelha, vosso vil cochicho, que a escarnecia e a ultrajava? Não era "Puta" a verdade "dela", o título de terror que vós lhes destes em vosso medo dela, covardes consolando covardes com furtivas olhadelas e gestos?

Mas nós não a tememos; nós gritamos Puta, quando os exércitos dela se aproximam de nós. Nós batemos em nossos escudos com nossas espadas. A terra ecoa o clamor!

Há dúvida da Vitória? Vossas hordas de escravos encolhidos (com medo de si mesmos, com medo de seus próprios escravos, hostis, desprezados e desacreditados, vossos passos da avestruz, ir a luta, não fugireis de debanda à vossa primeira investida quando com lanças de ardor em riste nós cavalgamos à carga, como nossas aliadas, as Putas que nós amamos e aclamamos, livres amigas a nosso lado na Batalha da Vida?

O Livro da Lei é a Carta de Direitos da Mulher, a Palavra Thelema abriu a fechadura do cinturão da castidade "Dela". Vossa Esfinge de pedra cobrou vida: para Saber, Querer, Ousar, E Calar.

Sim, Eu, A Besta, minha Puta Escarlate montada em mim, nua e coroada, ébria de Sua Taça dourada de Fornicação, gabando-se de ser minha companheira de cama, a levei até à Praça do Mercado, e rugi esta
Palavra que toda mulher é uma Estrela. E com esta Palavra está pronunciada a Liberdade da Mulher; as tolas e fracas e coquetes ouvirão minha voz. A raposa na mulher ouviu o Leão no homem; medo, faniquitos, moleza, frivolidade, falsidade, nada disto está mais na
moda.

Em vão homens brutos, apoquentadores e gabolas, padres, advogados, ou políticos franzirão as sobrancelhas e procurarão um novo truque para
atemorizar mulheres; de uma vez para todas a tradição está quebrada: acabou a moda do cinturão de castidade, da roupa de saco, do apedrejamento até a morte, de talhos no nariz, de arrastamentos por cavalos nas vias públicas, de açoitamento, de exposição no pelourinho, de divórcio de eunuco, harém, ameaças de inferno, ostracismo social, e até a criação de encorajamento de prostituição para manter uma classe de mulheres no abismo debaixo do tacão da polícia, e outra na beira do abismo, à mercê da bota do marido ao primeiro sinal de insubordinação ou mesmo de fracasso em agradar.

A câmara de torturas dos homens cristãos tem ferramentas de grande variedade: em um extremo, o assassinato cru e direto, ou a mais sutil morte a míngua; do outro, agonias morais, desde arrancar-lhes o filho do seio até ameaçá-las com uma rival quando os serviços dela acabaram com a beleza.

A mulher fraca de corpo e esfomeada na mente; a Mulher, moralmente aprisionada pelo seu heróico juramento de salvar a raça, não importa a que custo, aturou estas coisas, aturou de idade a idade. O
sacrifício dela não foi espetacular, não foi nenhuma cruz no cocuruto de um outeiro com o mundo boquiaberto, e monstruosos milagres para
ecoar o aplauso do céu. Ela sofreu e triunfou no silêncio mais vergonhoso; ela não teve amigo, ou seguidor, ninguém para ajudar ou aprovar. Como gratidão ela blandícias sentimentais, e aprendeu o frio
e cruel escárnio que os corações de pseudo-homens são capazes de abrigar.

Ele agonizou, ridículo e obsceno; deu toda a sua beleza e força de mocidade para sofrer doença, fraqueza, ameaça de morte, decidindo viver a vida de uma vaca - para que a humanidade pudesse navegar nos mares do tempo.

Mas agora a Palavra de mim, A Besta, é esta: não só estás tu, mulher, jurada a um propósito que não sê teu; tu és tu mesma uma estrela, e em tu mesma um propósito para tu mesma. Não só mãe de homens tu és, ou puta de homens; serva à necessidade deles de vida e Amor, sem partilhar da Luz e Liberdade deles; não, tu és mãe e puta para teu próprio prazer; a palavra que Eu digo aos Homens, Eu digo a ti nem
mais nem menos: Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei!

Sim padre, sim advogado, sim censor. Não vos renunciareis em segredo uma vez mais, para buscar em vossa bolsa de truques se há um que não tentastes?

Foi sempre tão fácil até agora! Qual é a Magick dessa Palavra, a primeira tese do Livro da Lei, que "toda mulher é uma estrela"?

Ai de vós! Sou eu a Besta que rugi aquela Palavra tão alto, que acordei a Beleza.

Vossos truques, vossas drogas de torpor, vossas mentiras, vossos passes hipnóticos, eles não serviram mais[1].

Resolvei a ser homens livres, destemidos como Eu, dignos parceiros para mulheres não menos livres e destemidas!

Pois eu, A Besta, chequei um fim para os males de antanho, para os abusos que contestastes, fazendo das mulheres o instrumento de vosso deboche e vosso medo.

A essência de minha palavra é declarar a Mulher como Ela mesma. Si para si mesma; e Eu lhe entrego uma Arma irresistível, a expressão de Si Mesma e da sua Vontade através do sexo; a ela, em precisamente,
eis os mesmos termos que o homem.

Assassinato não mais é temível, a arma econômica é sem poder desde que a mão de obra feminina se aprovou de valor; e a arma social está inteiramente nas próprias mãos dela.

As mulheres sempre foram sexualmente livres, como os melhores homens; é apenas necessário remover as penalidades de "ser descoberta". Que as organizações feministas de trabalho defendam qualquer mulher que é atormentada economicamente por motivos de atividade sexual. Que as organizações sociais feministas honrem em público aquilo que seus
membros praticam em privado.

A maior parte da infelicidade doméstica desaparecerá automaticamente, pois sua causa principal é a insatisfação sexual de esposas, ou a ansiedade (ou outra tensão mental) engendrada caso elas tomem o
remédio em suas próprias mãos.

O crime de aborto perderá a razão de ser exceto nos casos mais excepcionais.

Chantagem será confinada a ofensas políticas e comerciais, e assim diminuindo sua freqüência quanto menos por dois terços, talvez por muito mais.

Escândalos e ciúmes sociais tenderão a desaparecer.

Doença sexual será fácil de identificar e combater, desde que não será uma desgraça admiti-la.

A prostituição (com seus crimes derivados) tenderá a desaparecer, desde que parará de oferecer lucros exorbitantes a esses que a exploram. A preocupação da mente do público com questões sexuais não
mais propagará doenças morais e insanidade, quando o apetite sexual for tratado com a mesma simplicidade que a fome. Franqueza em falar e escrever sobre questões sexuais acabará com a ignorância que prende
tanta gente infortunada; precauções apropriadas contra atuais perigos imaginários ou artificiais; e os charlatões que traficam o medo perderão sua fonte de renda.

Tudo isto deve seguir como a luz segue a noite, tão cedo a Mulher, leal para consigo mesma, perceba que ela não mais pode ser falsa com qualquer homem. Ela deve se honrar à sua Vontade; e deve compelir o
mundo a honrá-la igualmente.

A mulher moderna não será nunca mais, joguete, escrava, ou vítima, a mulher que se entrega livremente ao próprio gozo, sem pedir recompensa, merecerá o respeito de seus irmãos, e abertamente prezará
suas irmãs "castas" ou "venais", como homens hoje em dia desprezam efeminados e os filhinhos de papai. O amor será separado por completo e irrevogavelmente de concordatas sociais ou financeiras, especialmente o casamento. O amor é um esporte, uma arte, uma religião, como quiserdes, não é um empório nem um mercado.

Eu te vejo mulher, estás de pé só, Alta Sacerdotisa do Amor tu és o Altar da Vida. E o homem é a vítima no Altar.

Debaixo de ti, regozijante, ele está deitado; exulta ao morrer, queimando no alento de teus beijos. Sim, estrela se arremessa flamejando para estrela; o esbraseio explode, alaga os céus.

Há um Grito numa língua ignota, ressoa através do Templo do Universo; em sua única Palavra está a Morte e o Êxtase, e teu título de honra, ó tu, a ti mesma Alta Sacerdotisa de Nuit, Profetisa, Imperatriz, que é tu Mesma a Deusa cujo nome significa a Puta e Mãe! [2]



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[1] Nota de M. - O leitor deve se lembrar que estas linhas precederam a completa emancipação da mulher na maior parte dos países do mundo;
o fato que elas ainda são atuais no Brasil, prova apenas o quanto nosso país sofreu durante séculos, sob o imundo tacão de Roma e seus pederastas!

[2] Nota de M. - Mapie (Mapie) em grego tem a mesma numeração de BABALON, note-se, na parábola dos "evangelhos", que Maria, a Mãe Virgem, assiste a morte do "filho" com Maria, a Puta de Magdala. É a
Puta de Magdala, não a "Mãe Virgem", quem vê o cristo erguido. Aum Ha!

Última atualização ( 25 08 2004 )